O Tribunal da Relação de Lisboa manteve os 11 anos de prisão a um colombiano, que era procurado pelos Estados Unidos da América e pela Interpol, pela importação de 340 quilogramas de cocaína apreendida na Costa de Caparica.

Uma nota hoje publicada na página da internet da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) refere que o Tribunal da Relação de Lisboa (TRL) «confirmou integralmente» as penas aplicadas pelo Tribunal de Almada, em janeiro, aos cinco arguidos por tráfico internacional de estupefacientes, após a defesa dos arguidos ter interposto recurso.

Luís Macias Nieto, 66 anos, conhecido como «El Doctor» e considerado pelas autoridades como um dos principais traficantes de droga da Colômbia, foi condenado a 11 anos de prisão. Foi detido em julho de 2012 na Costa de Caparica, após uma investigação conjunta da DEA - agência antidroga dos EUA, Interpol e Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da Polícia Judiciária.

O TRL manteve as penas de prisão aplicadas aos restantes quatro arguidos.

Edil Sua Luna, também colombiano e considerado pelo coletivo de juízes do tribunal de primeira instância como o «braço direito» de Macias Nieto, foi condenado a oito anos de prisão.

O Tribunal de Almada aplicou ainda a Alejandro Bedmar, Joaquin Martos e Joaquin Torcuate sete anos de prisão por tráfico de droga. Joaquin Torcuate foi ainda condenado a um ano de prisão por condução perigosa, tendo o tribunal determinado, em cúmulo jurídico, a pena única de sete anos e meio de prisão.

Os cinco arguidos - dois colombianos e três espanhóis - continuam em prisão preventiva ao abrigo do processo.

Sob Luís Macias Nieto recai um pedido de extradição para os EUA, mas isso só acontecerá depois de cumprir, em Portugal, a pena a que foi condenado.

O julgamento decorreu no Tribunal de Almada sob fortes medidas de segurança, com dezenas de guardas prisionais, alguns dos quais com cães.

Segundo o despacho de pronúncia do Tribunal Central de Instrução Criminal, a que a Lusa teve acesso, Luís Macias Nieto e Edil Sua Luna, «decidiram transportar cerca de 340 quilos de cocaína da Colômbia para Portugal», que depois seria vendida no mercado europeu.

Assim, «os dois arguidos fizeram chegar ao território nacional vários fardos de cocaína que guardaram num barracão abandonado na zona de Casal Frade, concelho de Sesimbra».

Depois de enviada a droga para Portugal, os dois homens deslocaram-se para o nosso país com o objetivo de «tratarem da venda do produto», tendo contactado os outros três arguidos, de nacionalidade espanhola - Alejandro Bedmar, Joaquin Torcuate e Joaquin Martos.

Após semanas de vigilância dos movimentos dos suspeitos, a 31 de julho de 2012, inspetores da Polícia Judiciária intercetaram duas viaturas, na Costa de Caparica, onde seguiam os arguidos.

Num dos automóveis estavam 234 quilos de cocaína e na busca ao barracão na margem Sul do Tejo foram encontrados 107 quilos de cocaína.