Dezenas de professores juntaram-se esta quinta-feira à porta do Ministério do Emprego e Segurança Social, em Lisboa, para contestar os cortes nas pensões e exigir uma auditoria à Caixa Geral de Aposentações, antes da discussão de uma petição no parlamento.

«Neste momento um professor para se aposentar tem de trabalhar 45 a 46 anos porque a idade tem vindo a ser um elemento fundamental para impedir, porque é muito penalizadora, a aposentação», disse à agência Lusa o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), Mário Nogueira.

A federação sindical defende que a aposentação apenas tem em conta a carreira contributiva, sem estar condicionada à idade, sobretudo para quem tem carreiras mais longas.

«A penalização por idade é muito maior do que a do tempo de serviço», sublinhou o dirigente da FENPROF, acrescentando que muitas vezes os professores acabam “por se arrastar” numa profissão de desgaste rápido, quando já estão «absolutamente esgotados», porque sabem que os cortes na pensão são enormes.

Mário Nogueira revelou que há casos de professores aposentados em situação de dificuldade financeira ao ponto de procurarem o sindicato para saberem se podem voltar à docência.

A FENPROF defende ainda um regime especial para os professores para que nos últimos anos de carreira os docentes possam ter um trabalho diferente.

«Um professor ou um educador de infância numa turma ou várias turmas com 30 alunos é uma coisa absolutamente violenta e essa violência não está hoje a ser reconhecida no nosso país», exemplificou.

A tribuna pública montada pela FENPROF em frente ao ministério antecede a discussão de uma petição que a organização entregou na Assembleia da República em defesa de uma auditoria do Tribunal de Contas à Caixa Geral de Aposentações (CGA), acrescenta a Lusa.