O Ministério da Educação considera que o relatório sobre educação e emprego apresentado hoje em Bruxelas «confirma um conjunto de questões sistémicas que há vários anos caracterizam o sistema educativo português e que correspondem, no essencial, ao diagnóstico» do Governo.

O Ministério da Educação e Ciência (MEC) comentou assim o inquérito «Educação para o Emprego: Pôr a Juventude Europeia a Trabalhar», realizado pela consultora McKinsey e apresentado hoje em Bruxelas pela comissária europeia Androulla Vassilou, que tutela a pasta da Educação, Multilinguismo e Juventude.

O Governo acrescenta, em resposta enviada à agência Lusa, que «têm sido adotadas medidas para combater as dificuldades reportadas por jovens, empregadores ou estabelecimentos de ensino».

Entre as medidas o MEC enumera, entre outras, a experiência-piloto de ensino vocacional lançada no passado ano letivo em 13 escolas do ensino básico, e alargada este ano letivo a mais de 500 escolas, abrangendo cerca de nove mil alunos.

Já este ano o MEC alargou o ensino vocacional ¿ uma vertente mais prática e que permite uma aprendizagem em contexto de trabalho ¿ ao ensino secundário, criando cursos de dois anos, com maior ligação às empresas e às suas necessidades.

«Através de uma componente técnica com maior ligação às empresas (46% total do curso), estes cursos proporcionam uma saída profissional concreta, sem que isso prejudique a possibilidade de prosseguimento de estudos superiores. Os cursos aprovados caracterizam-se por serem relevantes para a satisfação das necessidades regionais a curto e médio prazo em matéria de qualificações e empregabilidade», defendeu o ministério.

O MEC recorda ainda o alargamento da formação em contexto de trabalho no ensino profissional, a rede de Centros para a Qualificação e Ensino Profissional e os cursos superiores de curta duração que quer implementar nos politécnicos, de vertente profissionalizante e em continuidade com a formação profissional do secundário.

«O Ministério da Educação e Ciência está a preparar o Programa Retomar para prevenir o abandono escolar e recuperar alunos que comprovadamente tenham abandonado este grau de ensino por razões económicas, através de uma linha de fundo perdido inserida no Programa Garantia Jovem», lê-se no comunicado, que acrescenta ainda que a atribuição de bolsas de estudo no ensino superior aumentou 4% em 2012-2013, em relação ao ano letivo anterior.

Para o MEC estas medidas permitem «percorrer o caminho adequado para ultrapassar no curto/médio prazo as questões identificadas neste relatório ¿ e já anteriormente apontadas pela Comissão Europeia -, dando resposta ao nível do desfasamento entre as necessidades do mercado de trabalho e as ofertas formativas (valorizando o ensino profissionalizante), bem como das dificuldades no prosseguimento de estudos superiores por carência económica, contribuindo assim para combater de forma mais eficaz o desemprego jovem».

De acordo com o relatório McKinsey, Portugal tem uma das mais altas percentagens de jovens que queriam prosseguir os estudos, mas não têm possibilidade de os pagar (38 por cento).

O estudo incidiu em 5.300 jovens, 2.600 empregadores e 700 instituições educativas de oito países da União Europeia: França, Alemanha, Grécia, Itália, Portugal, Espanha, Suécia e Reino Unido.

O mesmo estudo indica que a grande maioria dos alunos portugueses (86 por cento) questionados no inquérito europeu considera que não recebe informação suficiente sobre as oportunidades de trabalho antes de terminar a escola secundária.