Dois em cada dez contactos para a Linha SOS Professor relataram agressões físicas e mais de metade episódios de agressão verbal, desde o início do ano lectivo, apesar de uma redução significativa no número de chamadas, informa a Lusa.

De acordo com a Associação Nacional de Professores (ANP), esta linha telefónica recebeu 33 chamadas entre 11 de Setembro de 2008 e 28 de Fevereiro deste ano, um número bastante inferior quando comparado com os 124 contactos registados entre 11 de Setembro de 2007 e 28 de Março de 2008.

«A nossa convicção é que a grande maioria das situações já começa a ser resolvida ao nível das escolas. Os próprios conselhos executivos estão mais atentos a têm hoje uma resposta muito mais pronta e muito mais adequada perante este tipo de situações do que anteriormente», afirmou João Grancho, presidente da ANP, em declarações à Agência Lusa.

Apesar da redução significativa do número de chamadas, sete professores (21 por cento) relataram agressões físicas e 19 agressões verbais (57,7 por cento). No ano passado, estes valores foram de 30,6 e 52,4 por cento, respectivamente.

Episódios de maus relacionamentos (27 por cento) e situações de indisciplina (18 por cento) completam as quatro ocorrências mais denunciadas pelos docentes.

Nos relatos registados, os intervenientes mais apontados são professor-aluno (66 por cento), seguindo-se professor-encarregado de educação (24 por cento) e professor-turma (seis por cento).

Os episódios a envolver professores e alunos são mais frequentes ao nível da agressão verbal (15 situações), seguida da indisciplina (cinco) e ainda a agressão física (quatro) e ocorrem mais regularmente no ensino secundário (oito) e no terceiro ciclo do básico (cinco).

Quanto à forma como os docentes lidam com estas ocorrências, verifica-se que no total apenas três professores apresentaram queixa na PSP ou na GNR (nove por cento). Aliás, contactar o conselho directivo ou o director de turma foi a primeira diligência de 16 professores (48 por cento).