A Federação Nacional dos Professores vai avançar com um pré-aviso de greve de 7 de abril a 7 de maio, para garantir que os docentes justifiquem ausência na formação que os certifica a corrigir provas de inglês do Cambridge.

«Os professores de inglês têm aquilo que o Ministério da Educação entende que é necessário para ser professor», sendo «um abuso» obrigar docentes a «serem funcionários gratuitos de uma empresa privada», o Cambridge English Language Assessment, o instituto da Universidade de Cambridge responsável pela autoria do teste de diagnóstico de inglês aplicado aos alunos do 9.º ano de escolaridade, criticou o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, em declarações à Lusa.

O pré-aviso de greve vai funcionar, «em último caso», para os docentes que vejam recusados os requerimentos «para pedir escusa de trabalho» e para pedir «serviço extraordinário», porque «se têm trabalho, têm de ser pagos por isso», disse.

Com a greve, os professores podem «apresentar uma justificação» das suas faltas à formação, explanou o dirigente sindical, referindo que também vai pedir uma reunião com caráter de urgência com o Ministério da Educação.

A formação «impede os alunos de terem aulas», sendo que o Ministério da Educação «considera que é mais importante fazer a formação», afirmou Mário Nogueira, que falava numa conferência de imprensa, junto à Escola Secundária da Quinta das Flores, onde esta quinta-feira 20 professores realizaram a formação.

Os professores de inglês «têm horários completos» e agora são transformados «em angariadores de alunos para fazerem testes» de inglês do Cambridge, tendo «um acréscimo de trabalho que nada tem que ver» com a atividade letiva normal.

Os docentes «têm de ter tempo para se dedicar às aulas e aos alunos. O resto é negócio», comentou, sublinhando que quer as escolas quer os professores foram convocados «na véspera».

Para além do pré-aviso de greve e dos requerimentos, a Fenprof vai ainda contactar a Autoridade para a Concorrência para saber «porque é que, sem concurso público, uma empresa privada entra dentro das escolas públicas» e a Comissão de Proteção de Dados para «perceber se foram entregues dados dos professores à empresa».

Uma das docentes que realizou a formação, Rosa Loureiro, pediu «desculpa» aos seus alunos, por estarem «dois dias sem aulas», naquilo que considera ser um «desrespeito» por parte do Ministério da Educação para com os professores de inglês.

Segundo Rosa Loureiro, o Instituto de Avaliação Educativa afirma que esta tem «aptidão» para avaliar os seus alunos mas, para o exame do Cambridge, precisa de formação, criticou, sublinhando que a formação «não acrescenta nada».

De acordo com a Fenprof, cerca de 10% a 15% dos professores de inglês designados para corrigir os exames de inglês do Cambridge já fizeram a formação.