Mais 500 professores colocados este ano, garantia dada terça-feira pelo Ministério da Educação, é algo que não satisfaz totalmente a FENPROF. A estrutura sindical liderada por Mário Nogueira apenas aplaude a extinção da Bolsa de Contratação de Escolas (BCE), que permitiu ainda em agosto "a colocação de mais de 3000 docentes em escolas que teriam agora de promover um penoso processo de BCE que se arrastaria durante um mês ou, em alguns casos, mais tempo ainda".

De resto, a estrutura dos professores afeta à CGTP acusa o aumento do número de professores dos quadros das escolas sem turmas para lecionar.

Feitas as contas, este ano não obtiveram colocação nesta fase 1.572 professores (isto é, mais 378 que no ano passado e mais 655 que há dois anos), salienta a FENPROF em comunicado, exigindo que "até ao início das aulas, as escolas possam contar com todos os seus professores, incluindo estes, o que significa reduzir a zero a lista de docentes que se mantém com horário-zero".

Reformas para combater desemprego

Na próxima segunda-feira, a estrutura sindical terá reuniões com responsáveis governamentais.

Até lá, a FENPROF continua a bater-se contra o número de desempregados existente entre a classe.

Continua a abater-se sobre os professores com uma violência enorme: dos 36.103 candidatos a este concurso, 28.797 não obtiveram colocação", refere a estrutura.

Mesmo admitindo que "até final do primeiro período letivo, cerca de mais 8.000 professores sejam contratados pelas escolas", as contas dos sindicalistas apontam para que 20 mil professores irão continuar no desemprego.

Nos últimos 5 anos, mais de 12.000 professores “desapareceram” dos concursos, o que significa que desistiram de concorrer", frisa o comunicado, defendendo que só com um regime especial de aposentações será possível combater o problema.

É consensual afirmar que o corpo docente das escolas está envelhecido e que urge rejuvenescê-lo. Fossem tomadas as medidas que permitissem a justa aposentação dos professores com 36 ou mais anos de serviço, quantos jovens docentes permaneceriam desempregados?", questiona a FENPROF, prometendo manter esta exigência nos próximos tempos.