Um estudo comparado entre a carga horária de um aluno no primeiro ano de escolaridade com um estudante a frequentar o 12.º revela que a criança passa mais 465 minutos por semana na escola do que o adolescente.

Alexandre Henriques, autor do blogue de educação ComRegras, um dos mais respeitados nesta área, comparou os tempos letivos semanais que uma criança de seis anos passa nas aulas, com os tempos letivos semanais de um adolescente a frequentar o 12.º de escolaridade e a conclusão que destaca é que “um aluno de seis anos passa mais 465 minutos por semana na escola que um aluno de 18 anos”.

Depois de comparar as matrizes curriculares do Ministério da Educação, Alexandre Henriques divulgou, nas últimas, o estudo comparado no seu blogue, revelando que um aluno no 1.º ano de escolaridade tem 1.500 horas de carga letiva, enquanto um estudante do 12.º ano tem 1.035 horas de carga letiva.

O estudo revela também que os anos com maior carga letiva em Portugal são o 3.º e 4.º anos de escolaridade, com 1.620 horas.

No 2.º ciclo, que corresponde ao 5.º e 6.º ano, a carga horária letiva é de 1.350 horas e, no 7.º ano de escolaridade, volta a aumentar para as 1.530 horas, para voltar a baixar nos 8.º e 9.º anos, em que a carga horária está nas 1.485 horas.

No 10.º e 11.º anos dá-se um novo aumento da carga horária para 1.530 horas, para voltar a baixar no 12.º, com as 1.035 horas.

A carga letiva atribuída aos alunos portugueses não tem a mínima consideração pela sua idade, não tem uma lógica progressiva, sendo vítima de múltiplos interesses exceto os dos próprios alunos”, observa o autor do estudo, referindo que há situações de uma “incongruência difícil de explicar”, como é o caso da atividade física praticada na escola que tem o seu “pico no ensino secundário”.