A Deco testou 30 centros de inspeção automóvel e nenhum deles detetou as seis anomalias implementadas nos carros levados à inspeção.

Num artigo da revista Proteste de novembro, a Deco revela mesmo que a maioria dos centros assinalou menos de metade das deficiências.

«Falta de rigor e facilitismo continuam na ordem do dia, pondo em risco a segurança rodoviária», denuncia a associação de defesa do consumidor.

O sistema de iluminação foi, a par dos pneus, o mais controlado pelos centros. Contudo, só três deram pelos dois problemas existentes: má orientação do médio esquerdo e reduzida intensidade da luz de nevoeiro traseira.

«No caso dos pneus, bastava um olhar atento para notar que eram diferentes no eixo traseiro, mas 12 centros não registaram a falha», denuncia.

«Dada a falta de rigor, a Deco conclui que o sistema de inspeções periódicas não serve os fins a que se destina e carece de uma transformação profunda. Na verdade, estas empresas nada ganham em prestar um serviço de qualidade. Devido ao modo como o sistema funciona, um centro rigoroso no seu trabalho pode perder clientes», considera.



Face aos resultados, a Deco exige que o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) tome medidas para aumentar o rigor dos centros de inspeção. Para tal, defende ser urgente que a fiscalização a estas entidades seja feita de forma mais eficaz e intensa.

«O recurso a metodologias que garantam o anonimato, tal como a adotada no estudo, é uma das possibilidades de atuação a introduzir ou reforçar pelo IMT. Tem ainda de ser dada mais visibilidade aos resultados das ações de fiscalização. Nomeadamente, através da divulgação anual e individualizada dos resultados de cada um dos 171 centros em atividade», defende a Deco.

Para uma maior eficácia do funcionamento dos centros, a associação de consumidores defende também que «é necessário definir e aplicar sanções dissuasoras, que penalizem os centros que executem de modo deficiente as inspeções. Os casos mais graves devem ver a sua atividade suspensa e, em caso de reincidência, estarem sujeitos à resolução do contrato administrativo de gestão celebrado com o IMT».

Segundo a associação, só assim se consegue desincentivar os centros que procuram retirar dividendos económicos pelo simples facto de serem menos rigorosos.

IMT promete averiguar mas centros garantem que são rigorosos

O IMT já reagiu, prometendo analisar a informação da Deco, e garante que vai atuar caso sejam detetadas «deficiências».

«Nós, IMT, recebemos o estudo apenas ontem [quarta-feira] já ao fim do dia, quase noite. Devido à grande credibilidade que a Deco nos merece, vamos estudá-lo com todo o cuidado», afirmou à Lusa o presidente do IMT, João Carvalho.

O presidente do IMT disse que os dados divulgados pela associação serão analisados «com bastante profundidade, rapidez e cuidado», acrescentando que o instituto não tem recebido «queixas especiais».

João Carvalho sublinhou ainda que «a sociedade portuguesa pode estar completamente tranquila, porque o IMT vai dar toda a atenção ao acompanhamento deste relatório e, se apontar para deficiências», vai atuar.

Em reação a estes dados, o presidente da Associação Nacional de Centros de Inspeção (ANCIA) disse à Lusa acreditar que as entidades de inspeção são rigorosas e sublinhou que a fiscalização compete ao IMT.

«O sistema de inspeções de veículos em Portugal está a funcionar e contribui decisivamente para a segurança rodoviária ao assegurar que os veículos se encontram em condições para circular na via pública», afirmou Fernando Teixeira, em declarações à agência Lusa.

[Notícia atualizada às 17:30 horas com reações do IMT e da ANCIA]