O Centro Hospitalar do Oeste (CHO), ao qual pertence o hospital de Caldas da Rainha, anunciou hoje que abriu um inquérito interno ao caso do doente aí operado e que foi recusado por quatro unidades hospitalares por falta de camas.

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«Para esclarecimento de todo o processo relacionado com o internamento e tratamento do doente, foi aberto um processo de inquérito interno», revelou o CHO, em nota de imprensa.

O CHO esclareceu que a vaga foi encontrada «cerca de 30 minutos depois» de terem sido iniciados os contactos com os hospitais de Santa Maria, de Loures e de Leiria, que recusaram o doente por falta de camas nessas unidades.

O doente foi transportado pelas 17:00, de Caldas da Rainha para o hospital de Abrantes.

Por isso, justificou, «os tempos decorridos estão de acordo com os circuitos habitualmente realizados e necessários à transferência segura dos doentes», ao contrário do se queixam os familiares.

O Diário de Notícias de hoje dá conta de que o doente, com suspeita de um cancro raro, foi transferido quatro horas depois para o hospital de Abrantes, onde esteve semana e meia internado e foi operado mais duas vezes, tendo morrido na segunda-feira.

Nas Caldas da Rainha, tinha sido operado e contraído uma infeção, que motivou a sua transferência.

O doente foi operado no dia 12, nas Caldas da Rainha, e transferido para Abrantes dois dias depois, porque, «dado o agravamento do estado clínico no pós-operatório, foi decidida a sua transferência para uma Unidade de Cuidados Intensivos».

Pedro Coito, o cirurgião que operou, disse à agência Lusa, na qualidade de presidente do conselho distrital do Oeste da Ordem dos Médicos, que «qualquer hospital com urgência médico-cirúrgia, como Caldas da Rainha, com as dificuldades de transporte que existem, deveria ter uma Unidade de Cuidados Intensivos».

Para o médico, «é sempre um drama e é raro conseguir à primeira tentativa uma transferência, quer os doentes venham da urgência, quer do internamento», apesar de admitir que ocorrem por ano meia dúzia de casos, no serviço, que é por si chefiado.

Apesar das tentativas para obter mais explicações, o CHO remeteu esclarecimentos para o comunicado, que não responde a esta questão em particular - a não existência de uma Unidade de Cuidados Intensivos, nas Caldas de Rainha.