Diogo 22 anos, aluno do 4º ano de arquitetura, estudava na Universidade Lusíada de Famalicão e pertencia, desde o primeiro ano, à tuna académica. Após um noite de praxe na Tuna, sentiu-se mal e foi levado para o hospital. Morreu sete dias depois. Maria Macedo, mãe do jovem, ainda não sabe o que aconteceu naquela noite, nem quem foi responsável pela morte do filho. Em entrevista ao «Diário de Notícias», Maria incentiva os pais das vítimas do Meco a não desistirem de saber a verdade.

Na noite da sua morte, Diogo terá sido convocado para um ensaio, quando já estava em casa de pijama e não era suposto sair. Suspeita-se que durante o ensaio da tuna, Diogo tenha sido obrigado a fazer flexões, enquanto um veterano lhe batia, com uma revista, na zona entre os ombros e o pescoço. Sentiu-se mal e foi levado para o Hospital de Famalicão. Acabou transferido para o hospital de São João, no Porto, e morreu sete dias depois. Terá tido um derrame cerebral.

O caso seguiu para tribunal e, no ano passado, o Supremo Tribunal de Justiça, condenou a Universidade Lusíada a pagar 91 mil euros à mãe do jovem por ter «violado o seu dever de vigilância» da praxe. Mas mais ninguém foi acusado de nada e o pacto de silêncio, entre os jovens da tuna, foi um muro intransponível para a descoberta da verdade. O marido morreu dois anos depois do filho, está sozinha, esta indemnização acaba por lhe garantir alguma estabilidade para o futuro.

«Nós, pais, pagamos o passaporte para a morte dos nossos filhos», desabafa Maria Macedo para quem as universidades têm responsabilidades. «Eles só veem números, não veem a parte humana». Esta mãe não tem dúvidas que, no caso do Meco, está a acontecer o que aconteceu no seu. «Lutem para que se faça justiça. Responsabilizem a faculdade», aconselha aos país dos seis jovens da Lusófona. Mas deixa um aviso: «não será fácil. Até porque vê-se que a faculdade está a cozinhar com os alunos. O mesmo que me fizeram a mim. Exatamente igual».

Aliás, a tragédia da praia do Meco é «um reviver de um filme que passa todos os dias pela minha cabeça», confessa Maria Macedo. Apesar de tudo, tem fé que um dia, alguém confesse o que aconteceu naquela noite. Falta-lhe a verdade para amenizar a dor que não desaparece. Contactou os pais dos seis jovens falecidos e ofereceu-se para os apoiar no que precisassem. Falar, diz Maria Macedo, é importante por que «o seu filho foi o primeiro mais grave» e, desde então, «nada mudou».