O reitor do seminário do Funchal está alegadamente envolvido em casos de abuso sexual naquele instituto. O Cónego Carlos Nunes será alegadamente o alvo da investigação da Polícia Judiciária que decorre há dois meses,conforme acrescenta o «Diário de Notícias» desta quarta-feira.

A Diocese do Funchal assegurou na segunda-feira estar «sempre disponível» para colaborar com as autoridades, depois de o «Diário de Notícias da Madeira» ter divulgado uma investigação da Polícia Judiciária sobre alegados abusos sexuais contra alunos no Seminário Diocesano do Funchal.

«A diocese estará sempre disponível a colaborar com as autoridades competentes», declara a autoridade religiosa num comunicado emitido esta tarde pelo gabinete de informação, intitulado «uma palavra necessária», no qual reage à manchete de hoje do Diário de Notícias da Madeira: «Polícia Judiciária investiga alegados abusos no seminário do Funchal».

Segundo o jornal, «a investigação está ainda numa fase embrionária, decorre há cerca de dois meses e foi desencadeada por uma queixa-crime que deu entrada no Departamento de Investigação Criminal da PJ do Funchal e cujo inquérito prossegue os trâmites legais sob a tutela do Ministério Público».

O matutino madeirense refere ainda que, «nos últimos dias, algumas pessoas, entre as quais antigos alunos, têm sido chamadas para serem inquiridas nas instalações daquele órgão de polícia criminal, no âmbito desta investigação».

No documento emitido, a Diocese do Funchal acrescenta que, embora «desconhecendo o teor do texto da denúncia, afirma que se há suspeitas elas devem ser investigadas e levadas até ao fim, na procura da verdade, responsabilizando quem eventualmente possa e deva ser responsabilizado».

Reconhecendo publicamente o «valor e importância do seminário» na formação tanto de sacerdotes como de alunos, a diocese sublinha que «a Igreja tem sido no mundo a instituição que mais tem agido na condenação dos atos de pedofilia e de abuso de menores e muito tem feito para precaver, debelar e reparar os males desses comportamentos».

Contudo, salienta que esta posição «não se concilia nem pode pactuar com a publicitação de suspeitas que, pelo modo e pelos efeitos da sua divulgação, se transformam em "quase verdades" e em que são atingidas, de forma irreparável, pessoas e instituições, que muito dão à Igreja e à juventude».

O «DN» acrescenta que se desconhecem «as datas a que se reporta a queixa». A PJ recusou-se a falar ao diário sobre o caso. O Cónego Carlos Nunes foi «nomeado pelo bispo do Funchal, D. António Carrilho, para o cargo de reitor do Seminário Diocesano em setembro de 2010».

Notícia atualizada