O Governo reúne-se na segunda-feira, em Figueiró dos Vinhos, com os presidentes de câmara dos concelhos afetados pelos incêndios que em junho destruíram milhares de hectares na zona Centro de Portugal, apresentando nessa ocasião medidas para reparação de danos.

O Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, reúne-se, dia 3 de julho (segunda-feira), às 10:30, nos Paços do Concelho de Figueiró dos Vinhos, com os presidentes das câmaras de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Pampilhosa da Serra, Góis, Sertã e Penela”, refere o Ministério do Planeamento e Infraestruturas num comunicado divulgado este sábado.

De acordo com a tutela, na reunião “será apresentado o inventário dos danos causados pelos incêndios de junho nestes sete concelhos, assim como o Plano de Ação contemplando as medidas para a reparação desses danos”.

No comunicado, o Governo adianta que ficaram destruídas 169 casas de primeira habitação, 205 de segunda e 117 devolutas. Além disso, foram contabilizadas 48 empresas afetadas e 372 trabalhadores com empregos afetados.

A inventariação dos danos “foi realizada por equipas multidisciplinares, integrando representantes dos municípios e técnicos de diversos departamentos da Administração Pública, nas áreas da habitação, infraestruturas e equipamentos, florestas e agricultura, atividade económica (indústria, turismo, serviços), proteção civil e segurança social”.

 

"Esta onda de solidariedade dá-nos força para continuar"

Também este sábado, o comandante dos Bombeiros de Pedrógão Grande, Augusto Arnaut, informou que os prejuízos materiais na corporação vão ser contabilizados e reportados ao Comando Distrital de Operações e Socorro (CDOS) de Leiria.

"Perdemos alguma material, como é normal nestes casos, nomeadamente ao nível de mangueiras, agulhetas, pneus de viaturas e avarias mecânicas, que serão posteriormente contabilizados e reportados ao CDOS de Leiria."

Em relação às ajudas recebidas, Augusto Arnaut adiantou que toda a ajuda que chega aos voluntários de Pedrógão Grande é canalizada para o município, entidade que posteriormente a faz chegar aos mais necessitados.

Já o presidente da Associação Humanitários dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, Carlos David Henriques, disse à agência lusa que os movimentos de solidariedade têm-se multiplicado.

"A união do povo, o calor humano que temos sentido com esta onda de solidariedade dá-nos força para continuar", frisou.

Este responsável adiantou ainda que os movimentos de solidariedade em prol dos bombeiros repetem-se um pouco por todo o lado.

Em Castelo Branco, um conjunto de empresários realizou um jantar solidário no dia 28 de junho, onde participaram 173 pessoas e foram angariados 2.725 euros que reverteram para a associação humanitária.

Na quarta-feira, vai haver um espetáculo no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, cuja receita reverte para os bombeiros de Pedrógão Grande.

Em Santarém, ainda sem data definida, irá ser também realizado um espetáculo, que já conta com 24 artistas, em prol dos bombeiros de Pedrógão Grande e de Castanheira de Pera.

No final do mês, decorre outro na Sertã, onde será instalado um mega-bar, cuja exploração ficará a cargo dos bombeiros, sendo que as receitas revertem para os "soldados da paz".

"Tem sido uma onda de solidariedade extraordinária e em termos de donativos está a atingir patamares que nunca mais para. Estão constantemente a chegar", concluiu.

 

Cinquenta bombeiros em vigilância permanente

Quinze dias depois, ainda há 52 bombeiros e 18 viaturas na região, que estão "em vigilância permanente".

Segundo fonte do CDOS de Leiria, os bombeiros afetos à ocorrência são "das corporações locais" e mantêm-se "em vigilância permanente", para o caso de uma chamada "para algum reacendimento".

A mesma fonte disse à agência Lusa que têm ocorrido "algumas ignições de secos que continuam a fumegar", sendo que a maior parte das ocorrências acabam por ser extintas pelos populares que sinalizam esses focos de fumo, não tendo surgido qualquer reacendimento digno de registo.

Os incêndios que lavraram na região Centro, durante uma semana, na segunda quinzena de junho, provocaram 64 mortos e mais de 200 feridos.

Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas, que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol.

A área destruída por estes incêndios - iniciados em Pedrógão Grande, no distrito de Leira, e em Góis, no distrito de Coimbra - corresponde a praticamente um terço da área ardida em Portugal em 2016, que totalizou 154.944 hectares, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna divulgado pelo Governo em março.

Das vítimas do incêndio que começou em Pedrógão Grande, pelo menos 47 morreram na Estrada Nacional 236.1, entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, concelhos também atingidos pelas chamas.

O fogo chegou ainda aos distritos de Castelo Branco, através da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra.