O antigo administrador da SAD do Sporting Luís Duque disse desconhecer a existência de qualquer contrato para vigilância de futebolistas e garantiu que o assunto causou “incómodo” na estrutura que gere o futebol profissional dos ‘leões’.

Luís Duque, atual presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, foi hoje ouvido como testemunha no âmbito do ‘caso Cardinal’, que envolve Paulo Pereira Cristóvão, antigo vice-presidente do clube e antigo inspetor da Polícia Judiciária.

Contrariando o depoimento do antigo presidente do clube Godinho Lopes, Luís Duque garantiu só ter sabido da existência de um contrato para vigilância de jogadores “através da imprensa”.

“Apenas troquei impressões com o Paulo Pereira Cristóvão sobre questões de segurança. Desconheço se isso foi materializado num contrato”, afirmou Luís Duque, que foi administrador da SAD do Sporting entre abril de 2011 e outubro de 2012.

Na sessão anterior, Godinho Lopes admitiu ter falado com Luís Duque para contactar uma empresa que fizesse “um trabalho de acompanhamento e não de espionagem [dos jogadores] ”.

“A ideia não foi minha, se [Godinho Lopes] a discutiu comigo não tenho ideia”, disse Luís Duque, admitindo, no entanto ter recebido de Paulo Pereira Cristóvão “informações avulsas sobre jogadores”.

Luís Duque considerou ainda que “qualquer contrato que tivesse como âmbito os ativos da SAD deveria ter passado pela SAD”.

Segundo a acusação, o Sporting terá contratado a empresa Businlog, para a vigilância de jogadores, tendo esta posteriormente subcontratado a Right Expert, com ligações a Paulo Pereira Cristóvão.

O atual presidente da Liga de clubes admitiu, tal outras testemunhas ouvidas anteriormente, ter tido conhecimento da denúncia de uma alegada tentativa de suborno ao árbitro assistente José Cardinal durante uma reunião com Godinho Lopes, Carlos Freitas, então diretor para o futebol, e Paulo Pereira Cristóvão.

Durante a sessão da manhã foi também ouvido João Melo Franco, presidente do Conselho Fiscal do Sporting entre 2011 e 2013, que esclareceu alguns pormenores do inquérito interno realizado pelo clube no âmbito do ‘caso Cardinal’.

Melo Franco confirmou a existência de um contrato, de 8.000 euros mensais, com o Businlog, explicando que a empresa estava proibida de subcontratar outras.

No entanto, segundo a acusação, a Businlog, que efetuava a vigilância de jogadores, subcontratou a Right Expert, à qual pagava 6.000 mensais.

O antigo presidente do Conselho Fiscal confirmou também que foi disponibilizada a Paulo Pereira Cristóvão uma verba de 3.000 euros, que acabou por ser classificada como confidencial.

“Paulo Pereira Cristóvão levantou a verba e não a justificou na totalidade. Justificou cerca de 1.250 euros. O resto disse que eram despesas confidenciais”, disse.

Segundo a acusação a verba de 3.000 euros terá sido usada para efetuar o depósito de 2.000 euros na conta de José Cardinal, para posteriormente o acusar de ter sido subornado, antes de um jogo entre o Sporting e o Marítimo.

Paulo Pereira Cristóvão, que está detido desde março no âmbito de um outro processo, deverá prestar declaração ao tribunal, presidido pela juíza Marisa Arnedo, a 27 de maio, às 14:00.

O antigo inspetor da Polícia Judiciária é acusado de um crime de burla qualificada, outro de branqueamento de capitais, dois de peculato, mais um de devassa por meio informático, um de acesso ilegítimo e, por fim, um de denúncia caluniosa agravada.