Portugal foi um dos países que registou o maior aumento da desigualdade no rendimento das famílias com crianças, revela um relatório da Unicef que analisou 41 países da União Europeia e da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

“Nos grandes países do sul da Europa, Grécia, Espanha, Itália e Portugal, registaram-se diferenças nos rendimentos superiores a 60%, tal como em Israel, no Japão e no México”, refere o documento, que analisa as disparidades em termos de rendimento, desempenho escolar, problemas de saúde e satisfação com a vida reportados pelas próprias crianças.

Segundo o documento, o maior aumento na desigualdade, de pelo menos 5%, foi registado em quatro países do sul da Europa, Espanha, Grécia, Itália e Portugal, e em três países da Europa Oriental: Eslováquia, Eslovénia e Hungria.

Em todos estes países, com exceção da Eslováquia, o rendimento médio das famílias com crianças desceu, refere o relatório “Equidade para as crianças: Uma tabela classificativa das desigualdades de bem-estar das crianças nos países ricos”.

O relatório salienta que o mercado de trabalho determina em grande parte o rendimento das famílias com crianças, em especial após uma crise económica, quando aumentam as taxas de desemprego e o trabalho precário.

Alerta ainda que, no nível de rendimentos mais baixos, “abundam de forma desproporcionada” os casos de crianças que vivem em lares onde todos os membros da família estão desempregados, uma situação verificada em todos os países europeus.

A nível da desigualdade na saúde, Portugal ocupa a 7.ª posição, atrás da Áustria, Alemanha, Suíça, Noruega, Dinamarca e Finlândia, refere o relatório, que classifica os países em função das diferenças em matéria de saúde assinaladas pelas crianças.

Já a nível da desigualdade na educação Portugal ocupa o 19.º lugar na tabela e o 18.º no que respeita à desigualdade em matéria de satisfação de vida das crianças.

Quando as crianças classificam a sua satisfação com a vida numa escala de um a 10, a pontuação mediana é oito, porém, as crianças que estão no ponto mais baixo dos níveis de pobreza ficam a uma distância muito grande dos seus pares.

Em todos os países, as raparigas entre os 13 e os 15 anos manifestam uma menor satisfação com a vida do que os rapazes.

O relatório analisou também a desigualdade a nível da alimentação saudável, um indicador em que Portugal se encontra no grupo de países onde os valores caíram para indicadores mais baixos do que os valores médios.

A fim de melhorar o bem-estar das crianças, o relatório propõe aos governos que considerem como prioritário proteger os rendimentos dos agregados familiares das crianças mais pobres e promover o sucesso escolar das crianças mais desfavorecidas.

Propõe ainda aos governos que apoiem estilos de vida saudáveis para todas as crianças e coloquem a equidade no centro das agendas relativas ao bem-estar das crianças.