Parecem pacotinhos de chá, mas na verdade contêm óxido de grafeno e são uma descoberta de investigadores da Universidade de Aveiro. Servem para quê? São capazes de descontaminar água com metais tóxicos como o mercúrio.

Com apenas 10 miligramas de óxido de grafeno por cada litro de água, contaminada com 50 microgramas de mercúrio por litro de água, foi possível, ao fim de 24 horas, remover cerca de 95 por cento desse metal altamente perigoso para o sistema nervoso central, concluíram os estudos realizados pelos investigadores do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) e do Departamento de Química (DQ) da UA.

“Não existe no mercado um produto que apresente as características deste”, garante Paula Marques, investigadora do DEM, citada pela Lusa.

A coordenadora da equipa que desenvolveu os saquinhos, um produto patenteado e que já suscitou o interesse de algumas empresas nacionais, lembra que “foi já efetuada uma experiência comparativa com carvão ativado, o material mais comummente usado para este tipo de aplicações, tendo o óxido de grafeno mostrado uma eficiência muito superior”.

A principal vantagem deste sistema, para além da elevada eficiência na remoção da água de metais que colocam em risco a saúde humana, reside na facilidade de síntese e no baixo custo de produção.

O sistema desenvolvido equipa da UA, que para além de Paula Marques, inclui Gil Gonçalves e Mercedes Vila, do DEM, e Bruno Henriques e Maria Eduarda Pereira do DQ, permite também a respetiva aplicação em locais que não possuam infraestruturas específicas para descontaminar águas contaminadas com metais. Basta colocar os saquinhos e retirá-los puxando pelo fio quando a limpeza estiver concluída.

A aplicação ambientalista para o grafeno promete ajudar a resolver o problema global que representa a água contaminada com metais tóxicos, que é diariamente libertada nos sistemas aquáticos do planeta, já que nem os mais avançados e caros processos de descontaminação conseguem taxas de remoção quase totais como esta infusão.

A nova política europeia da água obriga “à total cessação de descargas industriais contendo mercúrio, até 2021”, quando anteriormente os efluentes industriais poderiam conter 50 partes por bilião de mercúrio, sendo o limite de uma parte por bilião em relação às águas de consumo humano.