O diretor da Unidade de Neonatologia do Hospital do Funchal, que observou a criança de 18 meses que foi encontrada esta quarta-feira após ter desaparecido na Calheta, no domingo, considerou «intrigante» que esta tenha sobrevivido sozinha durante este tempo.

José Luís Nunes, pediatra, disse aos jornalistas que a criança está bem, não apresenta lesões e «dorme calmamente».

«À entrada, a criança estava consciente, lúcida, ligeiramente fria, mas não apresentava lesões visíveis de maus-tratos», disse o médico em conferência de imprensa.

Polícia Florestal já tinha estado na zona e «o menino não estava lá»

Segundo José Luís Nunes, o menino «apresentava sinais de frio, mas está clinicamente bem e, depois de ter tomado leite no Centro de Saúde da Calheta, voltou a tomar um copo de leite». «Está acompanhado pela mãe e neste momento dorme calmamente».

Confrontado com o facto de uma criança daquela idade ter sobrevivido sozinha durante três dias e três noites, supostamente ao relento, ao frio, na zona da ilha onde foi encontrada, o médio disse «não conhecer o local», mas admitiu ser «intrigante» ter «chegado bem como chegou ao hospital».

«É difícil, mas as crianças têm muita resistência. Mas sem comer e ao frio seria difícil», acrescentou.

Quando questionado sobre se a criança trajava a mesma roupa que usava aquando do desaparecimento, o médico admitiu que, devido a apresentar hipotermia quando foi observado inicialmente no Centro de Saúde da Calheta, lhe possam ter vestido outras peças de vestuário.

Por seu turno, o presidente do Serviço de Saúde da Madeira, Miguel Ferreira, corroborou que a criança «está bem, com sinais de hipotermia, mas ativa, consciente e reconhece perfeitamente a mãe».

O responsável concluiu que «a criança vai passar o dia e a noite em observação no hospital como medida de prevenção, mas amanhã deverá regressar ao domicílio».

Entretanto, o presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros da Madeira (SRPC) recusou qualquer responsabilidade na decisão de interromper as buscas da criança desaparecida domingo e encontrada esta quarta-feira na Calheta, adiantando que a operação foi coordenada pelas autoridades policiais.

O coordenador da Polícia Judiciária da Madeira, Eduardo Nunes, esclareceu que as buscas pela criança desaparecida domingo na Calheta foram «suspensas na segunda-feira» para que a situação fosse «revalidada», em função do cenário encontrado.