O Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI) denunciou, esta quinta-feira, um «gravíssimo incidente» entre contribuintes que ocorreu no início da semana numa repartição de Finanças do Porto, defendendo a contratação de novos funcionários para se evitar situações de conflito.

Em declarações à Lusa, o presidente do STI, Paulo Ranha, contou que «os desacatos» entre contribuintes que «iam terminando muito mal» aconteceram na segunda-feira, no Serviço de Finanças do Porto 2 (Bom Sucesso).

Na origem dos problemas, disse, está o caos gerado nos serviços de finanças com as notificações com o Imposto Único de Circulação (IUC) e as divergências de IRS. «É muita gente, que está muito tempo à espera num serviço público» e «não há recursos humanos» suficientes para atender tantos contribuintes, bem como «há falta de meios materiais e informáticos», frisou.

Naquele serviço de Finanças do Porto, os desacatos entre uma senhora e um outro contribuinte, que acabaram por arrastar «um grupo de cerca de 30 pessoas», apenas terminaram, segundo a fonte, quando «o chefe do serviço resgatou o homem para dentro da casa de banho» das instalações.

O grupo de cerca de 30 pessoas quis «invadir as instalações», a polícia foi chamada ao local, mas os três elementos da PSP que ali chegaram «foram manifestamente insuficientes para resolver a situação». A PSP acabou por enviar «o corpo de intervenção ao local», disse.

Para Paulo Ralha, este «é o resultado das políticas de enfraquecimento dos serviços públicos». «A frequência [de contribuintes] é cada vez maior e, mais tarde ou mais cedo, haverá uma situação mais grave», considerou, convencido de que se o homem não tivesse sido levado para dentro da repartição teria sido morto.

Numa nota informativa enviada à Lusa, a Direção Distrital do Porto do STI refere terem já acontecido incidentes em Gondomar, Palmela, Albufeira, Viseu, Coimbra, Aveiro, Sintra, Sacavém e Bragança, entre outras localidades.

Paulo Ranha recordou à Lusa que, há cerca de duas semanas, foram «disparados cinco tiros contra o serviço de Palmela» e que, no «atendimento de audição prévia do IUC, foi necessária a intervenção da polícia em diversos serviços».

«Está a tornar-se numa situação descontrolada», concluiu.