O presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), David Justino defendeu esta terça-feira no parlamento que a meta europeia que pretende reduzir a taxa de abandono escolar para 10% em 2020 «é irrealista».

David Justino esteve na comissão parlamentar de Educação, Ciência e Cultura para apresentar aos deputados o relatório «Estado da Educação 2013», divulgado este mês.

David Justino, que sublinhou a redução do abandono escolar nos últimos cinco anos registada em Portugal, considerou, no entanto, que «não é realista» traçar metas que apontem para uma taxa de abandono escolar de 10% em 2020, tal como definido nas metas europeias.

Para o também ex-ministro da Educação é mais realista apontarmos para taxas “à volta dos 12% ou 13%”.

Justino defendeu que sempre que há oportunidades no mercado de trabalho “os jovens abandonam a escola mais rapidamente”.

“Se nos próximos tempos o mercado criar oportunidades em abundância esta taxa nem aos 13% chega, quanto mais aos 10%, afirmou perante os deputados.

“Com uma taxa de 10% ficamos na média europeia. Na economia, nas desigualdades sociais, não estamos, porque haveríamos de estar na educação?”, questionou, acrescentando ainda que “Portugal é dos países com mais profundas desigualdades de distribuição de rendimentos” na Europa e que “quanto mais escolarizada for a população, menores serão as desigualdades”.