Uma das imagens peregrinas da Virgem de Fátima vai visitar Damasco, a capital da Síria, em setembro, anunciou esta quarta-feira o reitor do santuário.

Segundo o padre Carlos Cabecinhas, trata-se de um “pedido do patriarca Melquita Greco-Católico de Antioquia e de todo o Oriente, de Alexandria e de Jerusalém”, Gregório III, que solicitou a visita da imagem peregrina ao país “martirizado por um conflito que dura há mais de quatro anos”.

O anúncio foi feito na conferência de imprensa que antecede o início da peregrinação dos migrantes ao Santuário de Fátima, no distrito de Santarém.

Na ocasião, o sacerdote precisou ainda, segundo a Lusa, que a imagem vai estar em Damasco de 7 a 9 de setembro. Referiu também que o patriarca pede para que não se esqueça os cristãos sírios na oração, “conforme os repetidos apelos do papa Francisco”.

Já o bispo de Leiria-Fátima, António Marto, pediu uma “particular atenção aos cristãos perseguidos pela intolerância e pelo fanatismo fundamentalistas”.

“É a resposta a um apelo aflitivo dos bispos dessas regiões, quer no Médio Oriente, quer até na Ásia, que estão a assistir ao extermínio de comunidades cristãs e pedem, aflitivamente, a proximidade de toda a Igreja aos irmãos perseguidos por não quererem trair a sua fé em Jesus Cristo e a fé no Evangelho”


António Marto defendeu que “isto torna-se mais necessário dada a grande indiferença das instâncias internacionais”.

E reclamou também uma intervenção internacional para fazer face ao “drama” dos refugiados, considerando que a Europa não pode “ficar a olhar para o lado” e ignorar esta tragédia humanitária.

“Um drama que clama e brada aos céus por solidariedade urgente, efetiva, eficaz, a nível internacional e, ao dizer a nível internacional, refiro-me de uma maneira particular à ONU – Organização das Nações Unidas e, particularmente, a nível europeu, face a um egoísmo social crescente”


Mais de 230.618 pessoas, 69.494 das quais civis, morreram desde o início do conflito na Síria, em meados de março de 2011, segundo o balanço divulgado a 9 de junho pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

Em abril, numa audição na Assembleia da República, a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) anunciou que os cristãos são atualmente o grupo religioso que sofre mais perseguições por causa da fé.

Na ocasião, Catarina Bettencourt, em nome da AIS, revelou que o número de cristãos na Síria passou de 1,75 milhões, em 2011, para "pouco menos" de 1,2 milhões, no verão de 2014, "um declínio de mais de 30% em apenas três anos".

Na semana passada, o papa Francisco denunciou a perseguição “atroz, desumana e inexplicável” que sofrem atualmente os cristãos e as minorias em algumas partes do mundo, exortando a comunidade internacional a intervir face a esta situação.