O arcebispo de Braga avisou esta sexta-feira que a saída da crise é «dolorosa», tal como uma saída de um poço, e disse que «carregamos com demasiada força» na «tecla» dos direitos e «esquecemo-nos» do correspondente em deveres.

Jorge Ortiga, que discursava na apresentação da plataforma Dar e Receber, um projeto da Cáritas e da Entreajuda, afirmou ainda que a referência à saída dolorosa da crise é «muitas vezes esquecida» pelo Governo, que fala «quase» só de «economia, crescimento económico, sustentabilidade» entre outros termos.

O prelado alertou que a crise ainda vai «durar muito tempo». «Crise significa o fundo do poço, mas também significa o início da subida para sair desse mesmo poço. Se estávamos no fundo do poço e estamos agora a iniciar a subida, eu dizia que a subida também é dolorosa. Subir no poço é doloroso», avisou.

Esta é uma «conclusão», apontou, «muitas vezes esquecida, particularmente no discurso político, em termos de Governo», no qual, explanou, «muitas vezes fala-se quase só de economia, crescimento económico, sustentabilidade e tantas outras palavras».

Para Ortiga, a vida «conjuga-se em dois verbos: Dar e Receber», mas, referiu, o verbo receber acaba por ser o eleito pela maior parte de nós. «Se fizéssemos um questionário anónimo veríamos que a maior parte escolhe o receber», apontou.

«É por isso que carregamos com demasiada força na tecla dos nossos direitos e esquecemo-nos do correspondente dos nossos deveres. Pensamos que é só esperar que a solução venha de outro lado quando, efetivamente, há uma outra maneira de agir», alertou.

O arcebispo de Braga, ressalvando que não ser pessimista, chamou ainda a atenção para o facto de que «a crise vai ainda durar muito tempo» a acabar.

«Se estamos a começar a subida do fundo do poço, isso vai custar», realçou.