O secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, disse hoje, em Lisboa, que está a ser estudada a transferência do Museu da Música para o Palácio Nacional de Mafra.

O anúncio foi feito ao início da noite, no Museu Nacional de Arte Antiga, durante a inauguração da exposição ¿Rubens, Brueghel, Lorrain, a paisagem do norte no Museu do Prado", que contou com a presença do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

«A Direção-Geral do Património Cultural está a avaliar a instalação do Museu da Música no Palácio Nacional de Mafra», disse Jorge Barreto Xavier.

O processo encontra-se em fase de estudo e ainda «não é possível falar-se em mudança», para Mafra, do museu situado em Lisboa, nem de uma data para uma decisão, esclareceu o gabinete do secretário de Estado da Cultura, quando contactado pela Lusa, para obtenção de pormenores sobre a operação.

O Museu da Música encontra-se instalado num espaço provisório, desde 1994, na estação de Metro do Alto dos Moinhos, disponibilizado pelo Metropolitano de Lisboa.

A passagem do acervo para Mafra significaria um regresso ao local que o acolheu, nas décadas de 1980-90, antes da exposição ao público, na estação do Metro de Lisboa.

A constituição de um espaço museológico dedicado à música remonta ao primeiro ano da República, 1911. O museu, no entanto, só viria a abrir em 1946, após a II Guerra Mundial, no Conservatório de Lisboa, ao Bairro Alto, tendo sido transferido posteriormente, em 1971, para o Palácio da Pimenta, que acolhe o Museu da Cidade.

Em 1974-75, as peças foram depositadas na Biblioteca Nacional, ao Campo Grande, tendo seguido mais tarde para o Palácio Nacional de Mafra, onde se mantiveram até à abertura do Museu da Música, no Alto dos Moinhos.

Há quatro anos, em 2009, pouco depois da tomada de posse do XVIII Governo constitucional, a ministra da Cultura, a também pianista Gabriela Canavilhas, admitiu vir a instalar o Museu da Música em Évora, no convento de São Pedro de Castris, acompanhando a eventual constituição de uma orquestra no Alentejo, da qual o museu também seria sede.

O Museu da Música detém ¿uma das mais ricas coleções da Europa", de acordo com a sua apresentação, contando com cerca de 1400 instrumentos, entre os quais o cravo de Joaquim José Antunes (1758), o cravo de Pascal Taskin (1782), o piano Boisselot, que o compositor e pianista Franz Liszt trouxe a Lisboa, em 1845, e o violoncelo de Antonio Stradivari, que pertenceu ao rei D. Luís.

O violoncelo de Henry Lockey Hill, de Guilhermina Suggia, os violinos e violoncelos de Joaquim José Galrão, os clavicórdios setecentistas das oficinas lisboetas e portuenses fazem parte da coleção, assim como os raros cornes ingleses Grenser e Grundman & Floth, do final do século XVIII, e as flautas de Ernesto Frederico Haupt, de meados do século XIX, que são exemplares únicos.

O oboé de Eichentopf, do segundo quartel do século XVIII, e o cravo de Pascal Taskin, entre outros instrumentos, são também de "extrema raridade", segundo a página do museu na internet.

Espólios documentais, acervos fonográficos e iconográficos, como os de Alfredo Keil, autor do Hino Nacional, fazem igualmente parte do Museu da Música.

O presidente da Câmara de Mafra, Helder Sousa Silva, já declarou esta noite, em comunicado, o "regozijo" pela provável transferência do Museu que, a efetuar-se, "traduz o reconhecimento da histórica vocação musical" do palácio mandado construir por D. João V.

Em 2012, o Museu da Música, no Alto dos Moinhos, em Lisboa, somou 9.138 visitantes. Este ano, até ao final de setembro - últimos dados disponíveis -, somou 8.408 visitantes, o que corresponde a um aumento de 2.162 entradas em relação a igual período do ano anterior (6.246).