O bispo da Diocese de Bragança-Miranda, José Cordeiro, expressou esta quinta-feira preocupação com o aumento de casos de suicídios, exortando todos a estarem alerta para estas situações de «limite de desespero».

«É algo que me tem preocupado muito ultimamente, o suicídio, que tem aumentado e mesmo entre nós [na região] e em pessoas jovens», declarou em entrevista à Lusa.

José Cordeiro não sabe se estes casos são «resultado imediato dos tempos» que o país atravessa, mas alerta: «é algo que a todos tem de preocupar, porque está em causa a própria dignidade da pessoa humana, está em causa o coração da nossa própria vida e o sentido da nossa existência».

«Isso é o limite do desespero e nós não sabemos as razões que conduzem as pessoas a isso, mas aqui no nosso Nordeste Transmontano este ano já são muitos os casos de pessoas que puseram termo à sua vida», afirmou.

O mais jovem bispo de Portugal confessou que se sente «incapaz e impotente diante dessas situações» de «pessoas que vivem um desespero nas suas vidas e que se calhar procuram formas de pôr fim à sua situação e até à sobrecarga ou peso da família ou da própria vida».

Defende, por isso que no atual momento «é ainda mais importante a palavra e a proximidade da Igreja» e a citação que o papa Francisco tem repetido: «eu não tenho ouro nem prata, mas tenho Jesus Cristo», para dizer que é necessário algo mais do que os bens materiais para dar sentido à vida.

Para o bispo diocesano, «ninguém está dispensado de colaborar nesta construção de valores sólidos e do sentido da própria existência, de zelar não pelos interesses particulares, mas pelos comuns, por aqueles que realizam a pessoa, a sociedade e o mundo de hoje».

«Porque o maior dom que nós temos é a vida e a vida deve ser gasta ao serviço do bem comum e até ao fim do fim», insistiu.

José Cordeiro concorda também que «é preciso estar alerta» para a exploração das vulnerabilidades causadas pela crise por parte de redes de tráfico de seres humanos como advertiu, na quarta-feira, a procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal.

«Eu concordo que é preciso estar alerta e, sobretudo nestas situações de pobreza que podem atingir a miséria do não reconhecimento da dignidade humana e as pessoas olharem o outro apenas como algo útil», declarou.

O bispo de Bragança-Miranda encara com preocupação «esta cultura que se vai instalando do descartável», como tem alertado o Papa Francisco, e que defende «deve ser combatida com todas as forças».

«Por isso é de estarmos também vigilantes e atentos e estas situações de pobreza canalizadas para uma situação que pode levar a uma miséria da consciência humana», como cita a Lusa.