Os primeiros episódios de depressão notificados pelos profissionais nos centros de saúde aumentaram entre 2004 e 2012, altura em que se registou «o agravamento das condições sociais e económicas em Portugal», segundo dados da Rede de Médicos-Sentinela.

De acordo com um artigo publicado no Boletim Epidemiológico do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), verifica-se «uma coincidência temporal entre o aumento da taxa de incidência anual estimada de primeiros episódios de depressão nos cuidados de saúde primários e o agravamento das condições sociais e económicas em Portugal».

Os dados obtidos pela Rede de Médicos Sentinela - constituída por especialistas em medicina geral e familiar que exercem funções nos centros de saúde de Portugal - as taxas de incidência de depressão observadas em 2004 e 2012 foram superiores no sexo feminino.

O documento aponta para uma taxa de incidência de depressão de 1.389 por 100.000 utentes em 2012, sendo mais elevada nas mulheres (2.136 por 100.000 utentes) e no grupo etário 45-54 anos (2.408 por 100 000 utentes).

Os resultados sugerem um aumento da taxa de incidência de primeiros episódios de depressão nas mulheres após os 45 anos e um aumento mais assinalado nos homens no grupo etário do 55 aos 64 anos.

«O aumento da frequência de depressão entre 2006 e 2010 foi também observado em Espanha, existindo evidência que, em contexto de crise, os homens estão em maior risco de desenvolver doenças mentais», lê-se no Boletim.

Contudo, o próprio estudo do INSA refere que, tendo em conta a totalidade de casos em utentes a partir dos 15 anos, não é evidente uma variação das taxas de incidência anuais de depressão.

«No entanto, ao proceder à estratificação das taxas de incidência por sexo e grupo etário, evidenciaram-se variações significativas em grupos etários específicos», refere o documento.