O homem acusado do homicídio da ex-companheira, em outubro de 2014, em Marrazes, Leiria, negou esta quarta-feira a intenção de matar e disse que o disparo ocorreu numa altercação com um filho da vítima que lhe apontou uma arma.

“Fui para cima dele, para tentar tirar-lhe a espingarda (…) Houve a infelicidade”, disse o arguido, no Tribunal Judicial de Leiria, na primeira sessão do julgamento, rodeado de fortes medidas de segurança e que começou hora e meia mais tarde devido à tomada de posse de magistrados.


O arguido, de 32 anos, que se encontra preso, afirmou que no dia do crime deslocou-se a casa da vítima para ir buscar umas peças de roupa, referindo que o filho apontou-lhe uma arma.

Segundo o acusado, houve um envolvimento com o filho para lhe tirar a arma, sendo que no decurso desta situação a arma foi disparada, desconhecendo quem premiu o gatilho.

“Entrei em pânico, tirei a arma e fugi, e fui para Lisboa”, declarou, explicando que depois de falar com uns amigos decidiu entregar-se, o que fez no dia seguinte numa esquadra de Lisboa.


Questionado porque razão, tratando-se de um acidente, não ficou à espera da polícia e não socorreu a vítima, o arguido referiu que ficou “bloqueado da cabeça” e “foi o instinto”.

“Se eu soubesse que ele [filho] tinha uma arma em casa eu não ia lá”, acrescentou, negando ter ameaçado a vítima de morte, injuriado ou perseguido e que decidiu sair de casa porque “sabia que ela tinha outro homem”, situação que lhe causou uma “certa perturbação mental”.


O acusado admitiu sentir-se "triste" com esta situação, "porque era a mulher que amava", garantindo que nunca teve intenção de matar.

O arguido está acusado dos crimes de homicídio qualificado, violência doméstica, detenção de arma proibida e ameaça na forma agravada.

Segundo o despacho de acusação, o homem e a vítima tiveram um relacionamento durante o qual, entre outras coisas, aquele lhe disse, por várias vezes, que a mataria, agindo “movido por ciúme e desconfiança da existência” de um relacionamento da companheira com outra pessoa.

No verão de 2014, a vítima, de 51 anos, terminou o relacionamento, “decisão não aceite” pelo arguido.

O Ministério Público (MP) acrescenta que, na manhã de 27 de outubro, a vítima acordou o filho, após ter ouvido “barulhos estranhos no ‘hall’ de acesso à porta de entrada da habitação”, tendo, depois de espreitar, lhe parecido ter visto o arguido do lado de fora.

O jovem abriu a porta, mas não viu o arguido, nem ouviu qualquer barulho, mas, quando a vítima saiu do apartamento, aquele esperava-a no interior do prédio, munido de uma arma caçadeira com a qual lhe desferiu um tiro.

Os factos do despacho de acusação foram confirmados pelo filho que tentou socorrer a vítima e um agente da PSP colocado em Lisboa declarou que quando se entregou às autoridades o arguido “nunca falou em acidente”, mas “vingança pela traição”.

O julgamento prossegue às 14:45.