Um tribunal de júri começou esta tarde, em Leiria, a julgar um homem de 78 anos acusado do crime de homicídio qualificado na forma tentada de que foi vítima a ex-mulher, a 08 Abril do ano passado, naquele concelho, refere a Lusa.

O septuagenário, que à data do crime vivia no interior de um quadriciclo junto a sua casa, onde residia a vítima, responde ainda pelo crime de detenção de arma proibida.

O crime ocorreu na casa do casal, agora divorciado, um dia antes de uma diligência judicial no âmbito do processo de divórcio litigioso, tendo ferido com gravidade a vítima, de 61 anos, que agora reclama uma indemnização na ordem dos 40 mil euros.

De acordo com o despacho de acusação, o idoso disparou quatro tiros, dois dos quais atingiram o braço e o pescoço da mulher.

Aos três juízes e aos jurados, quatro efectivos e quatro suplentes, o idoso, agora divorciado após cerca de 40 anos de casamento, explicou que foi a sua casa, aproveitando a ausência da mulher, «para ver as coisas».

«Não podia entrar dentro de casa porque a fechadura tinha sido mudada», contou o arguido, que esclareceu: «Nesse dia vi a porta aberta. Fui ver o que tinha o cofre».

O idoso adiantou que acabou surpreendido pela mulher, que «demorou-se menos tempo» que o previsto, situação que motivou os quatro disparos que efectuou.

«Era para afastar-se de mim. Ela matava-me lá dentro se me visse», declarou António Vicente, salientando que «não a viu», embora desconfiasse que era a mulher que estava a entrar.

«Sei que foram quatro ou cinco [tiros]. Eu não vi onde atirei e não fiz pontaria», disse, esclarecendo: «Pensava que eles não a tinham apanhado».

O arguido explicou que «disparou tudo seguido para ela fugir mais depressa», justificando, desta forma, ao tribunal de júri a posse da arma: «Houve um telefonema, não sei de quem, a dizer onde estava a arma. Disse-me para a ir buscar».

«Tinha tanta gente por mim¿», declarou António Vicente, referindo que após o crime foi «para casa de um vizinho».

Confrontado com o presidente do tribunal de júri, o juiz João Guilherme Silva, sobre o que faria se pudesse voltar atrás, o arguido afirmou que não voltava a atirar, para depois acrescentar que «a mulher merecia estar presa».

Ao tribunal de júri relatou casos de maus tratos e que andava a ser perseguido.