A Federação Portuguesa de Tauromaquia (Protoiro) considera infundadas as recomendações das Nações Unidas sobre a exposição de crianças a espetáculos com touros, acusando esta organização de ter cedido ao lóbi anti-touradas.

O Comité dos Direitos das Crianças das Nações Unidas (ONU) recomendou na semana passada a Portugal que tome medidas para restringir o acesso de menores a touradas, nomeadamente elevando a idade a partir da qual é permitido assistir ou participar nestes espetáculos.

«Não existe nenhuma prova científica que fundamente as recomendações que o Comité acaba de fazer», sustenta a Protoiro num comunicado enviado à agência Lusa.

A Federação cita estudos realizados em França e Espanha por «reputados especialistas no tema» para contrariar as recomendações da ONU, rejeitando a ideia de que a assistência de menores a touradas «tenha impacto negativo na sua personalidade e bem-estar».

Os representantes da tauromaquia classificam como mentirosas as informações que serviram de base às recomendações das Nações Unidas e estranham a ausência de contraditório e de sentido crítico do Comité.

Além disso, a Federação lamenta a inclusão da tauromaquia numa análise «sobre importantes e reconhecidos problemas das crianças».

«Esta inserção, perfeitamente despropositada, resulta apenas do lóbi profissional feito pela Fundação Franz Weber, uma fundação suíça que tem por objetivo a abolição da tauromaquia a nível mundial», refere a nota.

Para a Protoiro, a tauromaquia «pauta-se pelo profundo respeito e promoção dos valores e direitos humanos (...) profundamente arreigados na nossa cultura».

«Num momento em que Portugal está economicamente subjugado ao estrangeiro, surge uma fundação Suíça que, com a lamentável conivência da ONU, nos quer retirar a liberdade de escolher o modo como devemos viver e educar os nossos filhos», lamenta a Fundação.