Uma portuguesa de 29 anos, a viver em Inglaterra há cinco, ficou sem a filha de cinco meses depois de a levar ao hospital. A história é contada na edição desta sexta-feira do jornal «Público».

A mulher, a residir em Southend-on-Sea, a 60 quilómetros a Leste de Londres, levou a menina ao hospital por esta ter, alegadamente, caído da cadeira de embalar e apresentar um hematoma na cabeça. No mesmo dia, conta o «Público», os Serviços Sociais britânicos e a polícia da cidade foram alertados. Os exames médicos, que a mãe nunca pôde consultar e nunca foram apresentados em tribunal, apontam para uma fratura, que, segundo os médicos, nunca poderia ser acidental.

A mãe foi considerada um perigo para a bebé pelos Serviços Sociais, está a ser investigada por agressão e perdeu a guarda da filha. Apesar de estar a amamentar, a menina foi-lhe retirada no início de maio e a guarda foi repartida: 50% para os Serviços Sociais e 25% para cada um dos pais, que estão separados, mas mantêm uma boa relação. A criança foi colocada numa família de acolhimento.

O pai, inglês, foi internado numa clínica psiquiátrica poucos dias depois da criança ser levada pelos Serviços Sociais e perdeu os 25% do poder parental que lhe cabiam e que podem passar também para os Serviços Sociais.

O jornal contactou os Serviços Sociais de Southend-on-Sea para esclarecer os fundamentos da acusação contra a mãe, mas alegando «razões de confidencialidade», os responsáveis escusaram-se a comentar o caso.

A situação desta família e também do casal português a quem foram retirados os cinco filhos em 2013 não são casos únicos. Serão pelo menos cinco os casos envolvendo crianças portuguesas retiradas a famílias em Inglaterra por suspeitas de negligência ou maus tratos e que estão a ser acompanhados pelos consulados-gerais de Portugal em Londres e Manchester.