A Universidade do Porto vai «trabalhar a fiado» até 2015. O lamento foi feito esta quinta-feira pelo reitor da universidade.

«A situação não é muito positiva. Vamos ver qual é a dimensão dos danos. Vamos ver qual é a verba que, de facto, o Governo nos vai devolver, daquilo que já adiantámos de 2014, porque nós estamos a trabalhar a fiado», disse Sebastião Feyo de Azevedo, citado pela Lusa, à margem da receção aos alunos deste ano letivo.

O reitor expressou uma «esperança de que a situação seja somente má, que não seja péssima», dado que as decisões do Tribunal Constitucional implicaram o pagamento de «um conjunto de verbas que não estavam previstas» e que a instituição espera ver devolvidas em 2015.

«O que o secretário [de Estado do Ensino Superior] disse é que havia um corte de 1,5 por cento. Eu espero que seja esse o corte", declarou o reitor da UP, frisando que, caso falte dinheiro, a instituição terá que diminuir apoios e pensar «que património é que poderá recuperar».

«A Universidade do Porto é uma instituição que não pode viver no limiar de pagar salários», concluiu.

Excessos em praxes são «intoleráveis»

A propósito do início do ano letivo, Feyo de Azevedo abordou, igualmente, o tema das praxes: «Não pretendo, de forma alguma, atingir quaisquer iniciativas que visem promover a integração dos nossos estudantes, pelo contrário, quero apoiá-las», mas quaisquer «excessos físicos ou psicológicos, práticas de obediência e discriminação, perturbação da atividade escolar e outros abusos» serão punidos de acordo com a legislação.

«Quero recordar que nenhum estudante pode ser obrigado a participar em qualquer ato da praxe académica contra a sua vontade», declarou, perante cerca de três mil estudantes e pais.

Sebastião Feyo de Azevedo considerou «lamentáveis os excessos que se têm vindo a observar em praxes académicas», frisando que lutará por «uma integração dos estudantes sem qualquer tipo de abuso».

Uma das prioridades da reitoria para o ano letivo de 2014-2015 será também «alargar e qualificar a dimensão social de apoio aos estudantes», no sentido de proceder a «uma reestruturação dos serviços de ação social».

«Independentemente de me parecer que, já hoje, a nossa comunidade estudantil beneficia de uma sólida estrutura de apoio social, queremos proporcionar melhores condições de apoio em todas as áreas: alimentação, habitação, estudo, saúde e convívio», rematou.