O Automóvel Clube de Portugal (ACP) condenou esta terça-feira “veementemente” qualquer prática de crime na obtenção de cartas de condução e disse estar a colaborar com a investigação policial em curso.

“No âmbito de uma operação policial relacionada com a eventual prática de crimes na obtenção de cartas de condução, o ACP condena veementemente qualquer ato associado a este comportamento”, refere a instituição em comunicado enviado à Lusa.

O ACP acrescenta que se encontra a “colaborar com a investigação, tendo disponibilizado todos os recursos com vista à obtenção de provas”.

A Polícia Judiciária (PJ) deteve 14 pessoas, oitos examinadores e seis proprietários e funcionários de escolas de condução, por suspeitas de corrupção passiva a ativa para ato ilícito e falsificação de documentos.

Em comunicado, a PJ acrescenta tratar-se da operação "Megahertz", em que foram detidos doze homens e duas mulheres, realizada pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC), em colaboração com a diretoria do Norte, no âmbito de um inquérito dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.

Durante a operação, em que participaram perto de 150 investigadores, foram realizadas oitenta buscas domiciliárias e não domiciliárias, acrescenta a nota.

Segundo a PJ, o modo de atuação dos alegados suspeitos da prática dos crimes consistia em fazer aprovar os candidatos em exames teóricos (‘Código’), com recurso à utilização de diversos equipamentos tecnológicos para registo de imagem e comunicação rádio com o objetivo de obtenção das respostas corretas, mediante contrapartidas de quantias monetárias.

Os detidos serão presentes a tribunal, para determinação das medidas de coação.

A Polícia Judiciária indica ainda que a investigação vai prosseguir com vista à continuação de recolha de prova.