A Fenprof classificou a negociação com o Ministério da Educação e Ciência (MEC) relativa ao concurso de vinculação dos professores do ensino artístico como «uma inexistência», acusando o Governo de ter uma «conceção despótica de negociação».

«A negociação dos diplomas para o concurso extraordinário de vinculação dos professores das escolas especializadas de ensino artístico foi uma inexistência. Na reunião de hoje, 28 de abril, o MEC ignorou as propostas concretas e fundamentadas que a Fenprof apresentara, limitando-se a algumas correções técnicas», lê-se no comunicado da Federação Nacional de Professores (Fenprof), divulgado esta segunda-feira.

A federação sindical referiu no documento que apresentou ao MEC propostas de alteração à proposta de diploma com base em informações recolhidas junto de professores e diretores de escolas, que, «aceitando os pontos de partida» do ministério «os ajustava de modo a que fossem corrigidas flagrantes situações de injustiças».

«Indiferente aos argumentos e às evidências, o MEC optou por manter inalteráveis as suas propostas iniciais. Uma conceção despótica de negociação», acusou a Fenprof, acrescentando que vai ¿lutar até ao fim¿ contra a proposta do Governo.

Já hoje a Federação Nacional da Educação (FNE) criticou o ministério por apresentar, na ronda negocial, uma proposta sobre as regras de integração nos quadros dos professores do ensino artístico que quase repete a primeira versão.

A proposta apresentada hoje à FNE «mantém-se sem alterações de fundo, em relação à primeira», disse à Lusa Lucinda Dâmaso, vice-secretária-geral da FNE, à saída da segunda ronda negocial sobre o Concurso Externo Extraordinário do Ensino Artístico, Música e Dança, que sentou à mesma mesa representantes da FNE e do ministério.

O concurso destina-se aos docentes dos conservatórios públicos de música e dança e das duas escolas de ensino secundário artístico especializado: António Arroios, em Lisboa, e Soares dos Reis, no Porto.

De acordo com o ministro da Educação, Nuno Crato, o concurso deverá permitir a integração, já em setembro, de 130 docentes: 50 nas escolas do ensino artístico e 80 nas sete escolas especializadas de música e dança.

O MEC reuniu hoje com as duas federações da educação para a segunda e última reunião da ronda negocial, a menos que haja pedido para negociação suplementar.