O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Jorge Ascenção, criticou hoje as atuais políticas «sociais e económicas», afirmando que «não há incentivos» para Portugal inverter a quebra demográfica e consequente redução de alunos nas escolas.

A «retração acelerada» registada na educação «é uma consequência das políticas sociais e económicas que a Europa tem vindo a seguir e Portugal também», afirmou, em declarações à Lusa, o responsável.

Comentando as últimas estatísticas da educação, relativas a 2011/2012, que o jornal Público hoje divulgou, Jorge Ascenção afirmou que ter filhos «não tem vantagem em lado nenhum» em Portugal.

«Daí que tenha dito, quando tomei posse, que nos preocuparíamos com as políticas educativas a par das políticas da família», sustentou, acrescentando que a atual quebra demográfica só mudará quando «as políticas forem alteradas».

Para o presidente da Confap, «não é possível pensar em políticas estratificadas, porque uma sociedade tem como célula de construção a família».

Jorge Ascenção entende que a atual crise que o país está a atravessar fará com que o número de alunos seja ainda mais reduzido daqui a cinco anos.

«Por aquilo que podemos ver e ouvir de quem tem o poder de decidir politicamente, penso que vai ser pior [daqui a cinco anos]. Apesar de uma ou outra medida assistencialista, não se veem políticas que nos levem a dizer que daqui por anos teremos uma situação sustentável», sustentou.

O Público refere que, do ensino básico ao superior, as estatísticas da educação relativas ao ano letivo 2011/2012 mostram um «sistema em retração».

«Temos jovens com 30 anos a continuar a viver com os pais», disse, acrescentando que isso «só pode mudar quando as políticas forem alteradas».

Jorge Ascenção apontou ainda uma alteração de valores como um dos fatores que faz com que os jovens sejam pais cada vez mais tarde.

«Os valores também são cada vez mais materiais, o próprio ser humano começa a dar mais importância a bons carros, boas casas e bons vencimentos. E é isso que se sente, a juventude está mais virada para o que chamamos estabilidade económica e a estabilidade social está, de facto, em decréscimo, e a demografia vem sendo consequência disso», concluiu.