A Barraca corre risco de fechar por ser de «outra família político-cultural», acusa a companhia num comunicado enviado ao tvi24.pt. Companhia de Teatro lançou uma petição online para alertar para a falta de apoios da tutela e contestar os critérios de atribuição dos mesmos, que agora explica no comunicado.

A companhia de teatro fundada há quase 40 anos, entre outros, por Maria do Céu Guerra, avança, no documento, com uma espécie de explicação para a falta de atribuição de apoios. «A Barraca tem, com certo tipo, de dirigentes, uma diferença de opinião que poderia até ser uma divergência nobre, se esses mesmos dirigentes não tentassem autoritariamente sufocar vozes discordantes como a nossa, e antes as olhassem como vozes de outra família político-cultural que democraticamente deveriam respeitar», pode ler-se.

A Barraca corre o risco de «suspender a sua atividade, devido aos brutais cortes a que foi sujeita pela atual Secretaria de Estado da Cultura (SEC)». Numa petição lançada online no último dia 31 de outubro e intitulada «A Barraca não pode ser extinta», a companhia contesta a classificação atribuída pela Direção-geral das Artes em critérios que conduzem à atribuição de apoios. A petição já foi assinada por quase 6400 pessoas.

A Barraca teve classificação zero nos itens respeitantes ao sistema educativo e exercício de atividade fora de Lisboa. Posto isto, é classificada em 31º lugar, numa espécie de ranking de 54 companhias de Teatro, mediante o qual os subsídios são atribuídos.

Num comunicado enviado ao tvi24.pt, A Barraca contesta: «o trabalho da Companhia que (...) é reconhecido pelos professores do país inteiro, não é reconhecido pelo "transparente e equitativo" critério dos funcionários que servem a SEC». O comunicado refere-se à recusa da SEC em comentar a petição e às declarações da assessoria de imprensa da tutela, publicadas pelo jornal «Público», que garantem «transparência e equidade» na atribuição de subsídios.

Às decisões da SEC, A Barraca responde com números. «A Barraca contou ao longo dos últimos anos com 50 mil espetadores/estudantes da peça "Felizmente há Luar", que integra o programa do 12º ano», sublinha, acrescentando o «enorme trabalho em levar há décadas o seu teatro a todos os pontos do país de forma regular».

A Barraca refere ainda que já no último ano contou com «um apoio que não paga a limpeza e a energia da casa» e, mesmo assim, mantém um quadro de 15 colaboradores permanentes.

A companhia alerta agora para as dificuldades que se avizinham, numa petição que tem como primeira signatária Pilar del Río, viúva de José Saramago e presidente da fundação com o nome do escritor.