O Exército concluiu que na origem do internamento de oito militares do 125.º Curso de Comandos, no final de setembro deste ano, na zona de Alcochete, esteve o “calor atípico” para a época do ano e o “desgaste físico”.

O relatório do processo de averiguações do Exército, divulgado hoje pela rádio TSF, concluiu que o exercício do Curso de Comandos foi "ministrado conforme o guião e o horário do curso e de acordo com as recomendações superiores".

O Exército concluiu, segundo adianta a TSF, que dois fatores contribuíram para o internamento dos militares no Hospital das Forças Armadas, em Lisboa, após um exercício do curso de Comandos: um calor atípico para a época” e o “desgaste físico provocado pela especificidade e exigência do exercício", aliado "às condições físicas dos próprios instruendos".

Recorde-se que “dois dos instruendos passaram pelos cuidados intensivos do Hospital das Forças Armadas, com um caso de pneumotórax e outro de uma lesão muscular que afetou as funções renais, e os restantes seis recuperaram de lesões traumáticas ligeiras”.

Quanto a alegadas agressões então denunciadas, o Exército indicou que, “depois de ouvir os instrutores e os instruendos, não foi apurada qualquer matéria de facto, não havendo qualquer fundamentação que permita provar a ocorrência das mesmas".

O porta-voz do Exército, tenente-coronel João Góis, disse à TSF que “foi fornecida no local hidratação suplementar e que a exigência física é sempre avaliada no final de todos os cursos”.

O militar adiantou que “estão a ser reavaliados os critérios de seleção para o Curso de Comandos, com o objetivo de detetar situações clínicas não declaradas de fadiga acelerada”.

O Exército sublinhou que a ”deteção atempada de fadiga é o tema de um projeto de investigação conjunto da Universidade do Porto e do Regimento de Comandos”.