O presidente da Associação Socioprofissional Independente da Guarda disse esta sexta-feira que a saída de funções do segundo comandante-geral da GNR deixa por resolver vários problemas e lembra a desmotivação e desalento durante o seu mandato.

Apesar da saída do tenente-general, o presidente da Associação Socioprofissional Independente da Guarda (ASPIG), José Alho, recorda que as «preocupações e os problemas dos militares da GNR, tantas vezes denunciados» vão continuar «por resolver».

As edições do «Diário de Notícias» e do «Jornal de Notícias» avançam esta sexta-feira que o número dois da GNR «bate com a porta» desagradado com o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, a quem pediu a sua exoneração.

De acordo com o DN, a demissão foi aceite e concretizada na quinta-feira, tendo o oficial general, com mais de 40 anos de serviço, regressado ao exército onde deverá ficar, para já, como quadro excedentário.

«Saio por uma questão de dignidade e ética profissional», disse José Caldeira ao DN, jornal que adianta que, na origem da decisão ¿ inédita num oficial superior das Forças Armadas - está o facto de não ter sido escolhido para o cargo de comandante-geral da GNR, que vai ser deixado vago por Newton Pereira na próxima semana.

Em comunicado divulgado esta sexta-feira, o presidente da ASPIG desejou felicidades a José Caldeira, mas alertou que foi durante o seu mandato que a «motivação e alento» dos militares foram «devastados» pelas medidas de austeridade.

José Alho referiu ainda que «os cerca de seis anos» em que o tenente-general Caldeira prestou serviço na GNR foram «coincidentes, em parte, com aqueles em que a motivação e alento dos militares da GNR foram devastados com medidas de contenção financeira avassaladoras».

Segundo José Alho, só o facto de os militares acreditarem no país e na importância dos cidadãos, tem permitido que «acreditem na profissão, que devotamente abraçaram».