Seis semanas depois do início do ano letivo, as escolas estão a confrontar-se com um novo problema: para além das complicações com a Bolsa de Contratação de Escola (BCE) na colocação de professores, e com o erro matemático encontrado, que têm atrasado as colocações, os diretores escolares apanharam docentes a mentir para passarem à frente de outros. 

«O problema mais complicado esta semana foi a validação de dados das candidaturas», disse à agência Lusa o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira, adiantando que as escolas se depararam com informações falsas nos processos de candidatura ou situações que não puderam confirmar.

Os próprios professores contratados que se manifestaram em frente ao Ministério da Educação a exigir a anulação do concurso inicial, depois de identificado um erro na fórmula matemática associada ao recrutamento, denunciaram casos de colegas que assumiram ter mentido no preenchimento de dados, nomeadamente nas habilitações, ultrapassando assim outros docentes com mais anos de serviço.

«Alguns (dados) não foi possível confirmar, porque em muitos casos não são verdadeiros. Basta haver um dado não confirmado que nós anulamos imediatamente a colocação. As escolas têm a obrigação de fazer essa verificação», afirmou Manuel Pereira.

Em declarações anteriores à mesma agência, Manuel Pereira explicou que, no limite, este modelo de recrutamento permite que todos os professores concorram a todas as escolas, logo sucederam-se colocações simultâneas, o mesmo professor colocado em várias escolas. «Este ano queimaram-se etapas e agora estamos nós a validar dados», lamentou.

Além das dificuldades com a validação de todos os dados e subcritérios que a plataforma informática de candidaturas aceita, o processo continua a estar atrasado porque as escolas depois de selecionarem o professor que precisam, têm de esperar que este decida pela melhor oferta que lhe foi apresentada. Se a resposta for negativa repete-se o processo. 

«Tenho professores que foram colocados na minha escola e no mesmo dia foram chamados para 10 escolas», exemplificou. «Queria ver se, na pior das hipóteses, no final da próxima semana temos os problemas todos resolvidos e só sobrarão casos residuais».

Certo é que, nesta altura, ainda há «muitas vagas» por preencher: «Calculo que faltem entre 10 a 20 por cento», estimou. Ontem, o Governo indicou que quase 10% dos horários ainda estão por preencher e mostrou-se «desconfortável» com essa situação.

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) pediu quinta-feira ao Ministério da Educação a abertura de um processo negocial para rever as regras dos concursos de colocação de professores. O ano letivo iniciou-se oficialmente entre 11 e 15 de setembro.