Dos mais de 48 mil candidatos a uma vaga nas universidades e politécnicos públicos cerca de 42 mil conseguiram um lugar, mas apenas metade conseguiu entrar no curso a que concorreu em 1.ª opção.

Os resultados da 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior foram hoje divulgados pela Direção-Geral do Ensino Superior (DGES).

De acordo com os dados, 42.068 estudantes conseguiram nesta fase um lugar no ensino superior público, o que representa 87,1% dos 48.271 candidatos e um aumento percentual de 11,4% face a 2014 no que diz respeito a novas entradas nas universidades e politécnicos nesta fase de acesso.

Com mais 5.851 candidatos a concorrer este ano à 1.ª fase relativamente a 2014 e com menos 265 vagas disponíveis nas instituições de ensino superior públicas, apenas metade dos candidatos (50,5%) conseguiram ficar colocados no curso da sua preferência. Em 2014 conseguiram entrar na 1.ª opção 54,4% dos candidatos e 60% tinham-no feito em 2013.

Ainda assim, a DGES sublinha que “84,4% dos estudantes agora admitidos foram colocados numa das suas três primeiras opções”.

Das 50.555 vagas levadas a concurso na 1.ª fase sobraram 8.714, que ficam agora disponíveis para a 2.ª fase, com arranque marcado para 7 de setembro.

Ainda que este ano se tenha registado um aumento significativo no número de candidatos, sobraram quase menos 4.500 vagas do que em 2014, quando 13.168 lugares ficaram por preencher na 1.ª fase.

O número de colocados desceu dois pontos percentuais em 2015 em comparação com o ano anterior, dos 89,1% para os 87,1%, ainda que em termos absolutos este ano universidades e politécnicos recebam na 1.ª fase mais 4.290 caloiros do que em 2014.

Nas universidades apenas 5,8% dos lugares ficaram por preencher, com 1.644 vagas sobrantes entre as 28.242 levadas a concurso. O total de candidatos que procuram as universidades em 1.ª opção superou em 22% a oferta, com 34.491 alunos a preferirem um curso universitário.

Os resultados da 1.ª fase estão disponíveis no portal da DGES.

A 2.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior decorre entre 7 e 18 de setembro, período durante o qual é possível entregar as candidaturas no portal da DGES.

Nesta fase são levadas a concurso as vagas que sobraram da 1.ª fase e aquelas em que não se concretizou a matrícula de alunos colocados.

Podem concorrer os alunos não colocados na 1.ª fase ou aqueles que, tendo sido colocados, queiram tentar uma mudança de curso ou instituição.

Os resultados da 2.ª fase são divulgados a 24 de setembro.
 

Quase 60% dos cursos não deixaram vagas por preencher


Quase 60% dos 1.048 cursos disponíveis no ensino superior público tiveram todas as suas vagas preenchidas na 1.ª fase do concurso nacional de acesso, mas há 48 cursos sem qualquer aluno colocado.

De acordo com os dados divulgados hoje pela DGES, há 600 cursos que não deixam qualquer vaga disponível para as fases subsequentes no concurso de acesso ao ensino superior.

Segundo os mesmos dados, há 48 cursos sem qualquer procura por parte dos candidatos a caloiros, maioritariamente nos politécnicos, havendo apenas três cursos universitários nesta situação: Filosofia e Cultura Portuguesa (regime pós-laboral), na Universidade dos Açores, Engenharia Têxtil (regime pós-laboral), na Universidade do Minho, e Engenharia Civil, na Universidade do Algarve.

Entre a quase meia centena de cursos sem candidatos as engenharias dominam a lista, sobretudo a Engenharia Civil, mas também Engenharia do Ambiente, Engenharia Industrial ou Engenharia Eletrotécnica, entre outras.

Há ainda nesta lista cursos da área de contabilidade, gestão, tecnologias da informação e um curso em redes sociais, no politécnico de Santarém, que volta a não conquistar o interesse dos alunos na 1.ª fase, à semelhança do ano anterior.

Os resultados divulgados mostram ainda que há 160 cursos com menos de 10 vagas preenchidas. Se estes cursos não conseguirem ultrapassar a barreira dos 10 alunos matriculados nas próximas fases de colocação correm o risco de ser encerrados, de acordo com as regras para a fixação de vagas em vigor.
 

Medicina no Porto com a média mais alta, 32 cursos abaixo do 10 


O curso de Medicina na Universidade do Porto foi o que registou a média mais alta, havendo 32 cursos em que os alunos entraram com valores inferiores a 10.

Em 12 cursos foram admitidos alunos com uma nota de candidatura de 9,5: de Bioquímica, na Universidade do Algarve, a Enfermagem, no Instituto Politécnico de Portalegre.

Também as universidades de Lisboa e de Coimbra apresentam cursos, em regime pós-laboral, cuja nota de entrada exigida foi 9,5. É o caso de Sociologia, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (em Lisboa), e de Ciências do Desporto, na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação, em Coimbra.

Mais 20 cursos registam notas de entrada inferiores a 10, entre universidades e politécnicos. Um total de 829 alunos entrou nestas condições.

A seguir a Medicina, na Universidade do Porto, onde foram preenchidas as 245 vagas, o curso com a nota mais elevada foi Engenharia Aeroespacial (18,50) no Instituto Superior Técnico (Universidade de Lisboa), para o qual entraram 85 alunos, ficando assim preenchido.

A terceira nota de colocação mais elevada pertence ao curso de Medicina do Instituto Abel Salazar (Universidade do Porto), com 18,48, onde foram também preenchidas todas as vagas nesta primeira fase (156).


Engenharia recupera em candidatos e em colocações


Os cursos de engenharia recuperaram este ano candidatos e colocados na 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, contrariando uma tendência de quebra na procura registada em anos anteriores.

Das 9.037 vagas levadas a concurso para as áreas de engenharia na 1.ª fase houve 7.855 candidatos a concorrer a esses lugares em 1.ª opção, 6.700 alunos colocados e 2.342 vagas sobrantes.

A taxa de ocupação de vagas este ano ronda os 75%, melhorando significativamente face aos anos anteriores, nos quais se tinha vindo a acentuar uma quebra da procura por cursos nesta área.

Em 2014 os cursos de engenharia abriram 9.022 vagas, o mesmo número de lugares disponibilizados em 2013, mas houve menos 401 estudantes a optar por um curso desta área como 1.ª opção, face aos 5.904 que o fizeram em 2013.

O número de colocados também baixou dos 5.596 em 2013 para os 5.302 em 2014, o que se traduziu numa redução da taxa de ocupação dos 62% para os 59%, tendo sobrado 3.724 vagas das mais de nove mil em concurso.

O exame nacional de Matemática, determinante para a entrada em cursos científicos e de engenharia, registou este ano um aumento da média nacional para os 12 valores, um resultado que indiciava a possibilidade de um crescimento das colocações nestas áreas de estudo.

Ainda assim, entre os 48 cursos que não registaram qualquer colocação na 1.ª fase, a grande maioria são de engenharia.

A área de arquitetura e construção ficou com quase metade das vagas por preencher nesta fase: das 2.073 levadas a concurso ficaram por preencher 908. Apenas 864 alunos manifestaram preferência por esta área, indicando-a como 1.ª opção, mas foram 1.169 os que ficaram colocados.

Entre as áreas que deixaram menos vagas por ocupar nesta fase das colocações estão serviços de transporte (0 vagas por preencher), informação e jornalismo (16 vagas por preencher) e matemática e estatística (30 vagas por preencher).

Agricultura, silvicultura e pescas foi a área que menos interesse despertou nos candidatos, com 542 vagas sobrantes das 840 levadas a concurso.

Formação de professores registou um aumento do número de colocados face a 2014, crescendo dos 857 para os 946 colocados, em 1.194 vagas disponíveis.

Ciências sociais e do comportamento, informação e jornalismo, ciências empresariais, direito, ciências veterinárias, saúde e serviços de transporte registaram uma procura superior à oferta.