O Hospital dos Covões, em Coimbra, onde esta madrugada o fogo num quadro eléctrico provocou o corte total de energia, é sujeito periodicamente a inspecção das entidades competentes e dos bombeiros, afirmou o seu presidente, noticia a agência Lusa.

Protecção Civil elogia Hospital dos Covões

«Estes equipamentos são certificados e são vigiados», declarou Rui Pato, presidente do Conselho de Administração, afirmando que são sujeitos a inspecções periódicas dos bombeiros, da Direcção-Geral de Energia e demais entidades competentes.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP), comentando o incêndio que esta terça-feira deixou sem electricidade o hospital de Covões, defendeu que os bombeiros deviam fazer visitas regulares aos hospitais, lamentando que nem sempre as administrações hospitalares estão receptivas.

Para Fernando Curto, presidente da ANBP, a situação registada naquele hospital de Coimbra poderia ter sido facilmente identificada se tivesse sido realizado um simulacro.

«Se houvesse um simulacro, tenho quase a certeza que teríamos identificado essa situação. Quando há corte de energia deve disparar logo um sistema alternativo», salientou este responsável, admitindo que, neste caso, «isso não funcionou porque possivelmente o quadro geral estava no mesmo local ou tinha as mesmas ligações».

Testes todas as semanas

O quadro geral onde se registou o incêndio que provocou o corte total de electricidade ao hospital, durante algumas horas, segundo Rui Pato, encontra-se instalado no campus hospitalar, «cumprindo as normas de segurança», mas no exterior do edifício.

«Posso assegurar que de oito em oito dias a funcionalidade e a operacionalidade com evidência, a operacionalidade do gerador de emergência, é testada. Esses testes de operacionalidade não fazem com que nós possamos pôr a arder um quadro eléctrico. Essa situação limite, o seu teste, é impossível, porque coloca em causa a vida das pessoas», afirmou, em conferência de imprensa, Jacinto Oliveira, gestor de risco no Hospital dos Covões.

Jacinto Oliveira, que afirmou desconhecer as críticas do presidente da ANBP, admitiu que este não estaria completamente inteirado da ocorrência.

«Não creio que a pessoa que proferiu essas declarações, que me merecem todo o respeito, conheça o contexto em que esta ocorrência aconteceu, e eventualmente fez uma apreciação da situação sem conhecer totalmente as circunstâncias», acrescentou.

De acordo com o gestor de risco do hospital, a instalação eléctrica onde se verificou o incêndio tem cerca de quatro anos, está homologada pelas entidades competentes e tem especificações próprias a que deve responder para este tipo de estabelecimentos.

«Mesmo assim tivemos esta situação. Ela deve ser ligada a algo que é susceptível de acontecer, e que não temos meio de precaver», sustentou Jacinto Oliveira.

Resposta «eficaz»

Na sua opinião, o que se exige às organizações é que, perante uma situação limite, tenham respostas alternativas para que a vida das pessoas não seja posta em causa, e «o que ficou demonstrado é que o hospital respondeu, segundo indicadores internacionais, de forma muito eficaz e eficiente a uma situação limite».

O hospital decidiu abrir um inquérito para se apurarem as causas do incidente, que até agora não foram descortinadas, mas Rui Pato adiantou que técnicos consultados, do hospital e da EDP, colocaram a hipótese de poder ter sido um curto-circuito.