O presidente da Confederação Nacional de Associação de Pais defendeu esta terça-feira um maior investimento nos alunos para inverter a cultura da retenção (chumbos), considerado pelo Conselho Nacional de Educação como o problema mais grave do sistema educativo.

Em declarações à Lusa, Jorge Ascensão sublinhou que a CONFAP tem defendido por diversas vezes a necessidade de se «alterar a cultura da retenção para uma cultura de certificação».

«Em vez de estarmos a seguir um caminho da retenção como processo de melhoria que não tem dado resultados - os alunos retidos acabam por cair num ciclo vicioso de retenção - temos de perceber as dificuldades de cada um, as suas maiores fragilidades e tentar apoiar essas dificuldades para que os jovens as ultrapassem e alcancem os objetivos», explicou.


O presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), David Justino, defendeu que as elevadas taxas de retenção de alunos (chumbos) são «o problema mais grave do sistema educativo», o qual quer ver na agenda dos partidos e das políticas públicas.

Numa conferência de imprensa em que apresentou a recomendação do CNE ao Governo relativa à retenção no ensino básico e secundário, David Justino referiu a necessidade de trazer o tema para a discussão política, dizendo que deve estar na agenda dos partidos, se se quiser combater o fenómeno que envolve cerca de 150 mil alunos no sistema de ensino (público e privado), com um custo de cerca de 600 milhões de euros, se se admitir que cada aluno custa ao Estado cerca de quatro mil euros por ano.

Para Jorge Ascensão, a mudança passa por um «maior investimento na prevenção e acompanhamento», de forma a proporcionar “maior probabilidade de atingir os objetivos e que os alunos sejam capazes de atingir o que é pretendido no programa”.

«A questão da retenção tem provado que não tem resolvido muita coisa», reiterou, sublinhando não ser o caminho «mais ajustado», além de avançar estar provado por alguns estudos «que não é através da retenção que se tem melhorado as aprendizagens».