A Câmara Municipal de Lisboa anunciou que esta quinta-feira, às 17:00, se irá juntar a Paris para assinalar um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do atentado contra o jornal satírico «Charlie Hebdo».

«Je Suis Chalie»: encontro de jornalistas esta quinta-feira em Lisboa

«Desta forma, a nossa cidade associa-se à marcha silenciosa que a Câmara de Paris promove nas ruas da capital francesa a partir das 18:00 locais», 17:00 em Lisboa, informou a autarquia.

A ação decorrerá na Praça do Município e contará com a presença do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, o embaixador de França e líderes de comunidades religiosas de Lisboa.

«Esta é também mais uma manifestação do estreito relacionamento entre Lisboa e Paris, consubstanciado no Tratado de Amizade entre as duas capitais. Lisboa e Paris unidas pela Liberdade», argumenta o município em comunicado, apelando à participação de todos porque «todos somos Charlie» (numa alusão à frase solidária que percorre o mundo após o ataque).

O jornal satírico francês Charlie Hebdo foi alvo de um ataque na quarta-feira, em Paris, que causou 12 mortos e 20 feridos.

Na quarta-feira, António Costa condenou «absolutamente o ato de violência»: «Foi um atentado grave à liberdade criativa, à liberdade de expressão e, por isso, uma ameaça às liberdades em todo o mundo. Sublinha bem como o terrorismo e o medo têm como grande inimigo a liberdade».

Falando aos jornalistas após uma reunião com a União Geral de Trabalhadores (UGT), em Lisboa, o também líder do PS referiu já ter falado com a presidente da Câmara de Paris, Anne Hidalgo, deixando-lhe uma mensagem de solidariedade da capital portuguesa.

«Tenho esperança que este acontecimento possa reforçar todos aqueles que em todo o mundo se batem pela liberdade de expressão - uma liberdade essencial à vida e ao progresso da democracia», salientou o secretário-geral do PS.

António Costa considerou que, desde 2001, o combate à ameaça do terrorismo «é uma prioridade constante entre as forças de segurança, quer em Portugal, quer em toda a Europa».

Na carta a Anne Hidalgo, divulgada ao final da tarde de quarta-feira, António Costa sublinha o repúdio da cidade de Lisboa «por esta ação bárbara» e lamenta a morte «de milhares de inocentes» nos últimos anos vítimas do terrorismo.

«O terrorismo é uma ameaça a todos os Estados e a todos os Povos. Isso exige a cada um de nós um combate sem tréguas na defesa do valor supremo da liberdade», refere na missiva.

Criado em 1992 pelo escritor e jornalista François Cavanna, o semanário Charlie Hebdo ficou conhecido nos últimos anos por publicar caricaturas do profeta Maomé, cuja reprodução é considerada uma blasfémia pelo islão.

O ataque, ainda não reivindicado, foi executado por dois homens armados com uma ‘kalashnikov’ e um ‘lança-rockets’, na redação do jornal, e que terão gritado «vingámos o profeta», segundo testemunhas citadas por uma fonte policial.