O portal do clima, preparado pelo instituto responsável pela meteorologia, vai disponibilizar informação com indicadores como temperatura ou pluviosidade, até final do século, úteis para a definição de projetos de empresas, administração pública ou local.

O instrumento, no âmbito da resposta às alterações climáticas, vai estar disponível a partir de abril, mas já se encontra numa fase de experiência, e é lançado, esta quarta-feira, pelo Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA), numa cerimónia a decorrer em Lisboa para marcar o Dia Meteorológico Mundial.

O principal objetivo é criar um conjunto de dados que possa auxiliar seja a administração local, nacional, empresas públicas e privadas, para terem informação que apoiem estrategicamente o seu 'core business' (área de negócio)", por exemplo, para a preparação de projetos de barragens, que vão fornecer água nos próximos 40 anos, tendo em conta a diminuição ou aumento da chuva, explicou à agência Lusa o diretor de Meteorologia e Geofísica do IPMA.

Pedro Viterbo explicou que "todo o público, seja geral ou especialista, pode comparar a normal [o conjunto das condições meteorológicas] de hoje com a normal entre 2010 e 2040 e preparar tudo para se adaptar ao clima".

O portal, que, segundo o especialista, "é bastante completo, tem 41 indicadores a relacionar a situação atual com o período futuro escolhido", e será útil para diversas áreas, da agricultura à saúde, turismo, gestão de risco de incêndio ou da aridez do terreno.

Foram criados vários indicadores ou grandezas meteorológicas, por exemplo, aquela associada à temperatura que informa sobre máximos e mínimos, mas também acerca do número de dias muitos quentes, com valores acima dos 35 graus Celsius.

Além das barragens, outras situações são apontadas por Pedro Viterbo, como a atualização do regulamento da construção civil.

"Não há uma única linha nesse regulamento que envolva alterações climáticas e não faz qualquer sentido, neste momento, termos um documento que não seja ajustável àquilo que vai acontecer nos próximos 30, 40, 50 anos", tempo de duração dos edifícios e período em que é esperado um aquecimento do clima, realçou.

Os especialistas têm projeções climáticas para o século XXI, divididas em três conjuntos de 30 anos, a começar em 2011, e informação sobre os últimos 30 anos.

Com base em cenários regionais sobre a Europa, os técnicos reuniram mais de uma dezena de cenários para Portugal, fazendo uma média entre eles o que reduz a incerteza. O tratamento dos dados, com a tecnologia científica atual, "dá-nos confiança de que estamos a dar o melhor produto, a melhor antevisão possível", concluiu.