Os portugueses residentes em Moçambique estão «desesperados» com o rapto de uma compatriota, hoje, na Matola e acham que a criminalidade pode «adiar» a ida de outros para o país, disse o presidente da Associação dos Portugueses de Moçambique.

Portuguesa raptada por três homens armados em Moçambique

A cidadã portuguesa foi raptada, hoje de manhã, na Matola, cidade satélite de Maputo, capital de Moçambique, por três homens armados, disse à Lusa uma fonte da comunidade.

Este é o segundo rapto conhecido envolvendo cidadãos portugueses, de uma onda de sequestros que começou em 2011 e que tem visado setores abastados da sociedade moçambicana.

Em declarações à Lusa em Maputo, o presidente da Associação dos Portugueses de Moçambique, Horácio Feliciano, disse que a comunidade se sente «desesperada, angustiada e triste» com o rapto da portuguesa, mas também com incidentes do género que atingem os moçambicanos.

«O sentimento é de desespero, angústia e tristeza, porque isto nunca acaba», disse Horácio Feliciano, lamentando o facto de as autoridades não conseguirem estancar um crime que assola as cidades moçambicanas há dois anos.

Há 20 anos em Moçambique, Horácio Feliciano disse que não tenciona deixar o país, mas que acredita que os portugueses que pretendam ir para o país possam pensar duas vezes antes de o fazer.

«Temos uma relação muito fraterna com o país, mas estas notícias fazem com que quem queira cá vir adie a vinda. Se te roubam um carro, podes ter outro no dia seguinte, mas se te raptam a criança, não a substituis», afirmou o presidente da Associação dos Portugueses de Moçambique, aludindo ao facto de a onda de raptos visar também crianças.