A deputada do PCP Rita Rato denunciou esta segunda-feira que «mais de 100 assistentes operacionais» do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) estão a receber abaixo do salário mínimo.

A deputada comunista afirmou em Coimbra que mais de 100 assistentes operacionais têm um contrato individual de trabalho, continuando a trabalhar 35 horas semanais e estando a receber 487 euros por mês devido à ordem do Governo para «não se pagar o salário mínimo» a esses trabalhadores.

Segundo Rita Rato, há situações de assistentes operacionais com salários de 487 euros que já estão no CHUC «há mais de dez anos».

Para além desta situação, a falta de pessoal leva a que os trabalhadores sejam «impedidos de gozar folgas ou fins de semana», havendo situações como a de uma assistente operacional «com 168 horas de folgas por gozar» ou de um enfermeiro «com 330 horas» por gozar, apontou.

Há também trabalhadores «com 18 dias de férias por gozar do ano anterior», assistentes operacionais a «operar em 33 camas» ou um enfermeiro «encarregue de 25 macas», sublinhou Rita Rato.

A deputada do PCP denunciou ainda que cerca de 30% dos profissionais de saúde do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) pediram horário fixo, devido ao corte do Governo nos suplementos.

Antes, um trabalhador que ganhasse «500 euros recebia um suplemento de cerca de 140 euros», sendo que com o corte «hoje recebe por volta dos 40 euros», apontou Rita Rato, que falava numa conferência de imprensa em Coimbra após uma visita ao CHUC, nomeadamente aos serviços de esterilização e de urgências.

O diretor enfermeiro do CHUC, António Marques, sublinhou que o corte nos suplementos «pode ter influência», mas que, na sua maioria, são mães que pedem o horário fixo, visto que a maior parte da população do hospital é mulher - cerca de 70%. Confirmou também a existência de mais de cem assistentes operacionais a receber abaixo do salário mínimo.

Quanto à questão das horas em débito, António Marques frisou que há três anos havia um total de «120 mil horas em débito» nos enfermeiros, situando-se hoje nas 56 mil horas. No caso dos assistentes operacionais, as horas em débito situam-se «abaixo das 12 mil horas», informou.

As horas em débito dos enfermeiros devem ser reduzidas pela possibilidade de contratação de trabalhadores para acorrer a situações de «absentismo de longa duração», resultante de um despacho do Ministério da Saúde, notou. O objetivo é que todos os profissionais estejam «abaixo das 24 horas», algo que ainda não foi alcançado.