O diretor da Faculdade de Belas-Artes afirmou hoje que o Ministério da Educação e Ciência quer «resolver o mais rapidamente possível» a questão da cedência de espaço, ocupado parcialmente pela instituição, ao Museu do Chiado.

Luís Jorge Gonçalves falou à agência Lusa, por telefone, após uma reunião com o secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, convocada devido ao encerramento da faculdade como forma de protesto.

«É intenção da tutela resolver o mais rapidamente possível esta questão, até porque é uma questão fácil de resolver e que permita à faculdade prestar ainda um melhor ensino», disse.

A cedência de espaço do Convento de São Francisco ao Museu do Chiado está garantida num protocolo assinado na quarta-feira, em Lisboa, pelos ministérios das Finanças e da Administração Interna e pela secretaria de Estado da Cultura.

«Ou seja, o que está em cima da mesa é ver em que estado está o protocolo e, portanto, se não há interferência no espaço da faculdade. De facto é devolver espaço à faculdade, para que a faculdade lhe possa dar um uso normal», acrescentou.

Luís Jorge Gonçalves indicou que a «faculdade estará aberta amanhã (sexta-feira) e em funcionamento normal efetivo».

O Ministério da Educação e Ciência não respondeu aos contactos efetuados pela Lusa.

A faculdade de Belas-Artes esteve hoje encerrada como forma de protesto pela cedência de espaço do Convento de São Francisco, parte do qual é ocupado pela instituição, ao Museu do Chiado, que funciona na vizinhança.

De acordo com um comunicado da Faculdade de Belas-Artes, assinado por Luís Jorge Gonçalves, o protesto resultou da «indignação» pela cedência de um espaço «às custas de espaços devolutos» nos edifícios onde a unidade de ensino artístico também se encontra.

Anteriormente, Luís Jorge Gonçalves tinha afirmado à Lusa que a Faculdade «foi prejudicada e ultrapassada» na cedência de 3.300 metros quadrados do Convento de São Francisco para o Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado (MNAC-MC).

«Nós soubemos da notícia pela comunicação social. A Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa [FBAUL] não foi oficialmente informada de nada», disse o diretor, recordando que, nas negociações deste antigo projeto de cedência de espaço do MAI, aquela unidade de ensino tinha estado envolvida.

Luís Jorge Gonçalves indicou que a última reunião sobre o projeto em que a FBAL esteve presente, foi há um ano, «e depois do verão nunca mais se soube de nada».

«A Faculdade tem uma enorme necessidade de espaço, temos cada vez mais iniciativas e somos uma entidade de referência nas artes. Aqui se formaram muitos artistas portugueses consagrados», salientou o responsável.

«O projeto, como era conhecido, consistia em partilhar o espaço deixado vago entre a faculdade, o museu e também a PSP, para criar ali um espaço museológico próprio», disse.

A FBAUL partilha as instalações do Convento de São Francisco, na zona do Chiado, com o Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado (MNAC-MC), serviços do Ministério da Administração Interna e do Governo Civil, que entretanto saíram do edifício, assim como o comando da Polícia de Segurança Pública (PSP).

A FBAUL tem atualmente cerca de 1.700 alunos, 110 professores e mais de cerca de 30 funcionários.