Vários jornalistas convocaram para esta quinta-feira às 18:30 na Praça dos Restauradores, em Lisboa, uma concentração pela liberdade da imprensa e em solidariedade para com os trabalhadores da revista Charlie Hebdo, avançou uma das organizadoras.

Redação da TVI junta-se ao movimento #JeSuisCharlie

O encontro está a ser divulgado através da rede social do Facebook, com o nome «Je suis Charlie», expressão associada desde quarta-feira à liberdade de expressão e homenagem aos 10 jornalistas e dois polícias assassinados num atentado em Paris.

Em declarações à agência Lusa, Marie-Line Darcy, correspondente da agência France Presse em Lisboa e uma das organizadoras do evento, explicou que o objetivo é conseguir juntar o máximo de pessoas possível no protesto.

«É uma reunião, um encontro de cidadãos e tem como objetivo chamar a atenção para a necessidade de se respeitar a liberdade de imprensa e de expressão, [e dizer] que não podemos ceder a ameaças terroristas, venham elas de onde vierem», disse.

Para a jornalista, o atentado «é um ato de barbárie» que tem de ser condenado.

«Não podemos ficar indiferentes a um ato tão violento, tão injusto e tão terrível», salientou.

Marie-Line Darcy adiantou à Lusa que a convocatória foi lançada quarta-feira à noite no Facebook e, até hoje de manhã, cerca de mil pessoas já tinham respondido positivamente ao convite.

«Pedimos às pessoas que imprimam uma folha com a mensagem ‘Je suis Charlie’ e que a levem para os Restauradores. Queremos tirar uma fotografia para juntar a muitas outras de colegas espalhados pelo mundo», disse.

A jornalista referiu ainda que inicialmente estavam marcadas duas concentrações: uma para as 15:00 no Largo Camões e outra para as 18:30 na Praça dos Restauradores.

«Entretanto, decidimos juntar tudo para as 18:30 nos Restauradores», disse.

Três homens vestidos de preto, encapuzados e armados atacaram na manhã de quarta-feira a sede da revista Charlie Hebdo, no centro de Paris, provocando 12 mortos e 11 feridos, quatro dos quais em estado grave.

Os autores gritaram «Allah Akbar» (Alá é Grande) e afirmaram pretender «vingar o profeta» Maomé.

Entre as vítimas do ataque estão os cartoonistas Stéphane "Charb" Charbonnier, 47 anos e diretor da publicação, Jean "Cabu" Cabut, 76 anos, Georges Wolinksi, 80 anos, e Verlhac "Tignous" Bernard, 58 anos.

Na quarta-feira, o mais jovem dos suspeitos do atentado, Hamyd Mourad, de 18 anos, entregou-se à polícia.

De acordo com a agência France Presse, que cita fontes anónimas, estão ainda em fuga os outros dois suspeitos, os irmãos Said Kouachi e Cherif Kouachi, com 32 e 34 anos, respetivamente, de nacionalidade francesa e referenciados como conhecidos ‘jihadistas’ pelos Serviços Secretos.

O jornal Charlie Hebdo tornou-se conhecido em 2006 quando decidiu voltar a publicar ‘cartoons’ do profeta Maomé, inicialmente publicados no diário dinamarquês Jyllands-Posten e que provocaram forte polémica em vários países muçulmanos.