
O chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) afirmou esta quarta-feira que na actualidade qualquer instituição que «não se reestruture morre», acrescentando que o próprio Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA) precisa «claramente» de mudanças.
«O EMGFA claramente tem de ser reestruturado», afirmou o general Luís Araújo aos jornalistas, à saída de uma conferência no Instituto de Defesa Nacional (IDN), noticia a agência Lusa.
O principal chefe militar recusou no entanto especificar em que moldes essa reforma deve acontecer, dizendo que é preciso «estudar» opções.
Luís Araújo disse ainda ter entendido o discurso do primeiro-ministro, esta quarta-feira de manhã, na abertura do ano lectivo no Instituto de Estudos Superiores Militares (IESM), como uma constatação de que qualquer organismo que não se reforme «morre».
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, defendeu na sua intervenção uma reforma das Forças Armadas que elimine «duplicações desnecessárias ou disfunções» e «uma estrutura de comando mais reduzida e eficiente», fomentando a «cooperação activa com todos os órgãos do Estado».
O CEMGFA referiu a este propósito que «as organizações são vivas e têm de fazer face aos desafios que têm a ver com o ambiente» em que se enquadram e de estar «atentas ao mundo».
Segundo Luís Araújo, esta necessidade de «reestruturação e ajustamento» é «constante» no mundo actual.
O CEMGFA frisou no entanto que «se há organização que se tem ajustado às situações são as Forças Armadas».
O CEMGFA recusou também a ideia de que se possa promover militares sem atualizar o respetivo vencimento, advertindo que no Estatuto dos Militares (EMFAR) «um posto corresponde a um vencimento».
O CEMGFA assinalou que o EMFAR «é lei» e não apenas um decreto e que, por isso, sem que seja alterado, promover militares sem actualizar o vencimento não é possível.
«A um posto corresponde um vencimento», notou, reforçando que as Forças Armadas se baseiam «na hierarquia» e que os postos têm «conteúdo funcional».
Questionado sobre até quando é que os ramos poderão assegurar esta situação, o CEMGFA disse não saber, mas lembrou que nas suas declarações, o ministro da Defesa se referiu a uma solução a ser encontrada durante o mandato do Governo PSD/CDS-PP.