“Trinta homens para recuperar o corpo. É bom fazermos isso enquanto estão vivos”, disse Armando Leandro, comentando o caso das crianças que caíram ao Tejo em Caxias. A esta conclusão, o presidente da Comissão Nacional de Proteção de Jovens e Crianças acrescentou: “Não podemos desistir”.

Na segunda-feira, uma mãe de 37 anos alegadamente caiu à água com as duas filhas. A bebé de 19 meses morreu e a irmã, de quatro anos, está desaparecida. Enquanto três dezenas de operacionais continuam a procurar a criança, a mãe foi detida pela Polícia Judiciária.

Soube-se, entretanto, que a mãe levou as filhas duas vezes ao hospital. A 17 de novembro de 2015 foi ao hospital Amadora-Sintra, o que deu origem a uma comunicação ao Tribunal de Sintra por parte da unidade hospitalar e à abertura de um processo. Uma semana depois, a 24 de novembro, na mesma altura em que apresentou queixa na PSP, dirigiu-se ao Hospital D. Estefânia e foi também determinada a abertura de um inquérito. Os dois processos acabaram por ser juntos num único, concentrado na comarca de Sintra.

A comissão de menores “tinha” conhecimento do caso, como confirmou Armando Leandro. O juiz explicou que “a informação neste caso foi dada pela polícia à comissão de proteção, que imediatamente, nos termos da lei, transferiu para o Ministério Público (MP) esta comunicação”.

“Triste” e “lamentando” a evolução deste caso, o presidente da CCPJ admitiu, no entanto, em entrevista à TVI, que “por muito que façamos – e temos que fazer tudo – isto é muita vezes inevitável”, o que não quer dizer que nos “conformemos com elas”.

“Todos temos de tomar conta das nossas crianças”

Sem se poder pronunciar sobre o caso concreto, que “está em segredo de justiça”, Armado Leandro colocou a tónica na “prevenção”.

“Há que prevenir desde logo estes casos”, com “planos de prevenção locais e intermunicipais”, pelo que a “sinalização em tempo útil é fundamental”, disse o juiz.

“Tudo o que respeita à criança, para além dos aspetos éticos e afetivos, é de interesse público dominante”. Nas palavras de Armando Leandro, “todos temos de tomar conta das nossas crianças”, dos pais à sociedade. 

“Temos obrigação de reduzir ao mínimo esse risco”. Porque “sem uma criança feliz, não há adultos felizes e realizados”