O Presidente da República, Cavaco Silva, destacou esta quarta-feira, em Murça, o papel das Forças Armadas que, num «tempo difícil», nunca se colocaram à parte da resolução dos problemas que Portugal enfrenta.

«Eu quero aproveitar esta ocasião para sublinhar o exemplo de solidariedade, de coesão e de disciplina que as Forças Armadas têm demonstrado e a forma leal, sensata, como os chefes militares têm procurado contribuir para a resolução dos problemas do país», afirmou.

Cavaco Silva sublinhou que este é «um tempo muito difícil», mas as «Forças Armadas nunca se colocaram à parte da resolução dos problemas que Portugal enfrenta».

«Estou convencido que continuará a ser assim no futuro. De uma forma muito responsável, os chefes militares têm feito as suas intervenções, num diálogo normal com o poder político para levar por diante as reformas que são necessárias aos mais variados níveis», salientou.

E, é por isso que, o Presidente da República fez questão de deixar uma «palavra forte de louvor» aos três ramos.

Cavaco Silva esteve esta manhã em Murça para assistir a uma demonstração tática de uma situação de bloqueio de estrada, com que a força militar portuguesa se pode deparar no Kosovo.

Num cenário fictício, populares radicais barricaram a estrada, impedindo a liberdade de movimento e violando os acordos estabelecidos. Três pelotões de militares, apoiados pelos blindados Pandur, são chamados a intervir.

Perante o aumento da violência por parte dos populares, os militares são obrigados a reagir com mais força. No meio dos confrontos, há um operacional da força que fica ferido e tem de ser evacuado.

Esta demonstração fez parte do exercício final de aprontamento do Batalhão de Infantaria que, em setembro, parte para o Kosovo.

Esta ação decorreu em paralelo com o exercício anual da Brigada de Intervenção que envolveu um total de 1.800 homens e 300 viaturas, das quais 66 Pandur.

Depois, mais ao final da manhã, o Comandante Supremo das Forças Armadas assistiu à cerimónia de entrega do estandarte ao segundo Batalhão de Infantaria, que vai rendar a força nacional destacada no Kosovo.

«Há 13 anos que Portugal dá o seu contributo para a paz na região dos Balcãs. Aqui eu quero testemunhar o grau de preparação, a capacidade técnica e operacional dos nossos militares, neste caso do Exercito, que lhes dá aquela qualidade de profissionalismo e de grande competência com que desempenham as missões que lhes estão atribuídas», salientou Cavaco Silva.

O Presidente da República destacou ainda a importância do treino porque «ajuda a reduzir os riscos».

«E estes nossos militares, tal como aqueles que estão em outros teatros de operações correm riscos. Por isso é necessário criar das condições para que eles possam treinar», frisou.

Nesta visita a Murça, Cavaco Silva esteve acompanhado pelo ministro da Defesa, Aguiar Branco, num registo da Lusa.