O Ministério Público (MP) pediu hoje, no Tribunal de Aveiro, a cassação da carta de condução a um homem, de 31 anos, que foi apanhado pela sexta vez a conduzir alcoolizado.

Trata-se do condutor que, há cerca de duas semanas, foi condenado a seis meses de prisão com pena suspensa, por ter sido apanhado bêbado a conduzir um carro, em Ílhavo, ao mesmo tempo que a companheira conduzia outro, também embriagada e no qual estavam os quatro filhos, todos menores.

O indivíduo, que começou hoje a ser julgado em processo sumário, confessou ter sido interveniente num acidente de viação, em Verdemilho, Aveiro, quando se encontrava alcoolizado, na noite anterior ao dia da leitura da sentença.

Questionado pela juíza quanto ao «extenso rol» de condenações pelo crime de condução em estado de embriaguez, o arguido disse que andava nervoso com o problema dos filhos, que entretanto foram institucionalizados, e com a exposição mediática do caso.

«Infelizmente errei. Sei que não sou dependente de álcool, mas vou fazer o tratamento. Prometi isso a mim mesmo, por causa dos meus filhos», afirmou o arguido, assegurando que não tornou a beber álcool desde o dia do acidente.

Perante o elevado número de condenações e o receio de que o arguido possa vir a praticar novo crime, o procurador da República apresentou um requerimento a pedir a cassação da sua carta de condução.

«A reiteração do comportamento revela inaptidão para a condução de veículos motorizados», afirmou o procurador.


A advogada do arguido requereu prazo para a defesa, tendo sido marcada nova audiência de julgamento para o próximo dia 19.

O caso remonta a 25 de janeiro, quando o arguido seguia ao volante de um veículo ligeiro que colidiu contra um automóvel que se encontrava estacionado em segunda fila, junto a uma farmácia, em Verdemilho.

Após o acidente, o arguido abandonou a viatura e fugiu a pé, tendo sido intercetado pela PSP a pouca distância do local. Submetido ao teste de alcoolemia, o condutor acusou uma taxa de 2,15 gramas de álcool no sangue.

Cerca de duas semanas antes deste caso, o indivíduo, que já soma cinco condenações por condução de veículo em estado de embriaguez, tinha sido apanhado, juntamente com a mulher, a conduzir bêbado com quatro filhos menores num dos carros.

No seguimento deste caso, o Tribunal de Família e Menores ordenou que as crianças de cinco e 17 meses e de quatro e oito anos fossem institucionalizadas, sendo esta medida revista de três em três meses.