A maior parte dos habitantes de Lisboa têm entre 45 e 54 anos, habitação própria, mora na mesma casa há mais de 20 anos e escolheu a capital pela proximidade do local de trabalho, segundo um estudo da Marktest.

O inquérito, a que a agência Lusa teve acesso, abrangeu uma amostra de mil entrevistas, foi elaborado para o Programa Local de Habitação (PHL) e será apresentado esta sexta-feira na conferência (Re)Habitar Lisboa, que decorre no Teatro Aberto.

O universo da amostra é formado por residentes nos Concelhos de Lisboa, Amadora, Sintra, Mafra, Oeiras, Almada, Seixal, Alcochete, Sesimbra e Palmela, com idades compreendidas entre os 18 e os 64 anos.

Dos que moram em Lisboa, a maior parte (58,6 por cento) tem casa própria, 33,3 por cento arrendada e a maioria (86 por cento) mora fora de condomínios privados.

Apenas 3,2 por cento dos que moram em Lisboa habitam em casas construídas por cooperativas e 13,6 em habitação social.

Quase uma em cada quatro (22 por cento) pessoas que não residem no Concelho de Lisboa declara que a proximidade do local de trabalho e a oferta de emprego a levaria a morar na capital. O mesmo aconteceria para 14 por cento de quem mora fora da capital, caso baixasse o preço da habitação.

O trabalho da Marktest mostra ainda que a maior parte das pessoas que trabalham e estudam em Lisboa mora nos Concelhos de Sintra (30,5), Amadora (18,2) e Oeiras (16,8).

Os motivos que levam as pessoas a escolher o local de residência são em primeiro lugar o facto de ficar próximo de familiares, de poder ter um alojamento maior, a proximidade com o local de trabalho, o custo da habitação e as melhores acessibilidades.

Os inquiridos mostraram-se satisfeitos com o local/freguesia onde residem, sendo que os residentes nos Concelhos de Oeiras, Mafra e Alcochete/Montijo são os que apresentam maior satisfação com o local onde moram.

Vantagens e desvantagens de morar em Lisboa

Mais de um em cada dez inquiridos não está satisfeito com a cidade de Lisboa e as principais razões apontadas foram a poluição (40.3 por cento), insegurança (26.9 por cento), os espaços degradados (24.4 por cento) e as dificuldades de estacionamento (23.5 por cento).

As principais vantagens de residir em Lisboa prendem-se com o facto de estar perto de tudo/central, a proximidade do trabalho, o facto de haver muitos transportes e a possibilidade de acesso a equipamentos de cultura/lazer e desporto.

Quanto às medidas necessárias para que a capital possa recuperar parte dos 300 mil habitantes que perdeu nos últimos 60 anos, a maior parte aponta a necessidade de maior apoio ao arrendamento jovem e à população com fracos recursos (69,7 por cento).

O aumento da oferta de habitação a custos controlados (49,1 por cento) e melhores acessos à habitação para uma melhor mobilidade (27,5 por cento) são as outras medidas sugeridas.

As entrevistas foram feitas entre 13 de Janeiro e 01 de Março e a margem de erro máxima, para um intervalo de confiança de 95%, foi de 3,1.