Por: Redacção / CP | 2- 9- 2008 10: 54
O ex-dirigente socialista Paulo Pedroso ganhou a acção interposta contra o Estado por prisão ilegal no processo Casa Pia,
anunciou o seu advogado, Celso Cruzeiro, à Lusa.
Paulo Pedroso confia mais na Justiça
Advogado das vítimas espera recurso
Na sentença, de que Celso Cruzeiro e Paulo Pedroso
tiveram esta terça-feira conhecimento, o juiz considera que a detenção do ex-dirigente socialista foi um «erro grosseiro».
«A
fundamentação do acórdão de condenação do Estado é baseada no preceito que indica que o Estado através do seu agente, o juiz,
cometeu um erro grosseiro, uma negligência grave na decisão que aplicou a prisão preventiva a Paulo Pedroso», adiantou Celso
Cruzeiro.
Manuel Alegre satisfeito com a decisão
O advogado salientou que, embora tarde, esta decisão
envolve o «reconhecimento explícito e inequívoco de que foi cometido um erro grave».
Na sentença, de mais de 100
páginas, o juiz atribuiu uma indemnização de cerca de 100 mil euros, «bastante aquém» dos 600 mil euros pedidos na acção contra
o Estado.
«Não posso dizer com rigor a quantia pois abrange verbas de natureza diferente. Nos danos patrimoniais,
antigos danos morais, a verba é de 100 mil euros porque é uma verba fixa que não depende de operações de aritmética», contou.
Celso Cruzeiro frisou que «esta decisão quer dizer que o agente jurisdicional do Estado que naquele momento avaliou o contexto
e aplicou a prisão preventiva [Rui Teixeira] não actuou apenas com negligência mas com grave negligência e com grosseira violação
do dever de cuidar».
Advogado ainda poderá recorrer
Questionado sobre se vai recorrer da decisão,
Celso Cruzeiro referiu que vai agora estudar com maior rigor a sentença e depois tomará uma decisão.
Na altura
do início do julgamento, a 7 de Janeiro, Paulo Pedroso atribuíra a «um imperativo ético» a decisão de colocar uma acção cível
contra o Estado português por prisão ilegal no processo Casa Pia.
Na altura, o ex-deputado socialista e ministro
do Trabalho e da Segurança Social de António Guterres sublinhara que o seu «sofrimento é irreparável», mas que «a justiça
deve ser responsabilizada pelos erros que cometeu».
Este é o primeiro processo contra o Estado português relacionado
com o processo Casa Pia e pode influenciar eventuais decisões de pessoas ilibadas ou que venham a ser absolvidas naquele processo.
História dos acontecimentos
Paulo Pedroso ficou em prisão preventiva depois de ter sido ouvido pelo
juiz de instrução Rui Teixeira, no dia 21 de Maio de 2003, no âmbito do processo Casa Pia, acusado de crimes de abuso sexual
de menores por quatro jovens.
Nesse dia, o juiz Rui Teixeira tinha ido à Assembleia da República pedir o levantamento
da imunidade parlamentar do então deputado socialista e para notificá-lo para prestar declarações.
Paulo Pedroso
foi libertado quatro meses e meio depois, a 8 de Outubro, por decisão do Tribunal da Relação, e foi recebido de forma apoteótica
pelo PS no Parlamento.
Nesse mesmo ano, em Dezembro, o MP acusou formalmente o ex-deputado socialista de 23 crimes
de abuso sexual, mas em Maio de 2004, a juíza de instrução criminal então com o processo decidiu não levar Paulo Pedroso a
julgamento.
Ano e meio depois, em Novembro de 2005, e depois de um recurso do Ministério Público, o Tribunal
da Relação viria a confirmar a decisão da juíza.
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